K-pop e K-beauty: Desafios da Diversidade em um Fenômeno Global

K-pop e a Diversidade na K-beauty
Atualmente, ao participar de shows de K-pop, como os do Blackpink ou BTS, é comum encontrar uma multidão de fãs de diferentes origens, cantando em uníssono, mesmo que as músicas sejam predominantemente em coreano. Esse fenômeno é um reflexo do esforço da Coreia do Sul em diversificar e revitalizar sua economia por meio da disseminação global da cultura coreana, conhecida como “Hallyu” ou a Onda Coreana.
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Entretanto, apesar do crescente interesse internacional pela cultura K, muitos fãs novos ainda não conseguiram aproveitar plenamente a K-beauty. Embora seja uma das principais exportações culturais do país, a K-beauty enfrenta desafios para atender a um público diversificado.
Produtos como corretivos e bases de marcas coreanas historicamente apresentam uma gama limitada de tons, focando em peles claras a médias e sendo promovidos quase exclusivamente por modelos jovens e de pele muito clara.
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Desafios e Avanços na Inclusão
Essa abordagem restrita contrasta com os avanços promovidos pelos ídolos do K-pop, que desafiam estereótipos de gênero. Grupos como Stray Kids e artistas como G-Dragon e Seonghwa têm se destacado por suas expressões de masculinidade diversificadas, usando roupas e maquiagem que tradicionalmente não são associadas aos homens.
Apesar disso, a diversidade e inclusão na sociedade sul-coreana ainda estão aquém do esperado. Um relatório de 2025 do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo revelou que mais de 38% dos entrevistados não sabiam o que era diversidade cultural, enquanto 54% admitiram ter preconceitos formados pela mídia.
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Os padrões de beleza na Coreia do Sul são influenciados por diversos fatores, incluindo a homogeneidade étnica do país e suas atitudes em relação à imigração. O debate sobre a necessidade de uma K-beauty mais inclusiva tem gerado opiniões divergentes, com alguns defendendo práticas inclusivas e outros argumentando que isso pode ser superficial e não atender às reais necessidades dos consumidores.
A Evolução da K-beauty no Cenário Global
A Coreia do Sul está se tornando uma sociedade mais heterogênea, com um aumento na população nascida no exterior, que em 2025 ultrapassou 5%. A popularidade de grupos de K-pop também impulsiona o turismo, como evidenciado pela turnê mundial do BTS, que deve gerar milhões para as economias locais.
A K-beauty, avaliada em mais de US$ 90 bilhões, está se beneficiando dessa visibilidade global, com a cultura visual do K-pop reforçando a percepção da eficácia dos produtos de beleza coreanos.
Recentemente, a Coreia do Sul superou a França como o maior exportador de produtos de beleza para os EUA, com remessas alcançando US$ 1,7 bilhão. Marcas de K-beauty estão se tornando amplamente disponíveis em lojas americanas, e a parceria da Sephora com a Olive Young marca um passo significativo na expansão da K-beauty nos EUA.
Lojas conceito dedicadas à K-beauty estão surgindo em várias cidades europeias, refletindo o crescente interesse por esses produtos.
Iniciativas de Inclusão e Novas Marcas
À medida que a demanda por K-beauty cresce, é essencial que as marcas atendam a uma gama mais ampla de clientes. Melissa Alfer, inspirada pelo amor de seus filhos pelo K-pop, fundou a K+Brown, uma marca de cuidados com a pele voltada para peles ricas em melanina.
Seu primeiro produto, um soro biomimético, já gerou uma lista de espera significativa antes mesmo do lançamento, evidenciando a demanda por produtos que atendam a essa diversidade.
Marcas estabelecidas também estão se adaptando. A Tirtir, que ganhou notoriedade em 2023, inicialmente oferecia apenas três tons de base, mas agora expandiu para 40, respondendo à demanda por maior inclusão. A Jung Saem Mool Beauty e a Beauty of Joseon também estão se destacando ao atender a diferentes tons de pele, mostrando que a K-beauty pode se tornar uma força global ainda mais inclusiva.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



