Juventus e Milan fora da Champions League: um marco histórico e crise no futebol italiano
Juventus e Milan ficam fora da Uefa Champions League pela primeira vez em 35 anos, enquanto o Como brilha com uma vaga histórica. O que vem a seguir?
Juventus e Milan fora da Uefa Champions League
Juventus e Milan, dois dos maiores clubes da Serie A, não conseguiram se classificar para a Uefa Champions League neste domingo (24). Essa será a primeira vez em quase 35 anos que ambos ficam de fora da principal competição europeia, o que aprofunda a crise de identidade do futebol italiano, já afetado por resultados insatisfatórios.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Em seu lugar, o Como garantiu uma vaga histórica no torneio após apenas duas temporadas na elite. Menos de uma década atrás, o clube estava nas divisões amadoras.
Desde que a Copa dos Campeões foi renomeada para Champions League, na temporada 1992-93, pelo menos uma das duas equipes sempre esteve presente. A ausência de Juventus e Milan marca o auge de uma temporada histórica para o Como, que terminou em quarto lugar, mas também representa o ponto mais baixo de uma campanha problemática para os principais clubes italianos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Essa situação ocorre após a seleção da Itália não se classificar para a terceira Copa do Mundo consecutiva.
Grandes mudanças no Milan
Para o Milan, que já conquistou a Champions League sete vezes, a última em 2007, mudanças significativas estão a caminho. O proprietário do clube, Gerry Cardinale, enfrenta pressão intensa após torcedores insatisfeitos exibirem faixas com a mensagem “Vá para casa: vergonha” nas proximidades do hotel do dirigente e no estádio San Siro.
Leia também
A derrota por 2 a 1 para o Cagliari, que confirmou o quinto lugar e a ausência na Champions pelo segundo ano consecutivo, deve resultar em uma reformulação imediata na diretoria, conforme noticiado pela imprensa italiana.
O técnico Massimiliano Allegri também está sob forte pressão, assim como diversos jogadores do elenco principal. O ex-jogador e ex-treinador do Milan, Fabio Capello, fez críticas contundentes à equipe: “Vi um time sem força, sem vontade, sem ideias.
Uma revolução? Sim, mas apenas se houver ideias por trás disso, caso contrário não faz sentido.”
Reconstrução na Juventus
Por outro lado, a Juventus, que foi campeã europeia pela última vez em 1996, terminou a temporada na sexta colocação após um empate em 2 a 2 contra o rival Torino. Apesar da decepção, o técnico Luciano Spalletti deve continuar no cargo, com o apoio da diretoria para liderar uma reconstrução do elenco dentro de limites financeiros mais rigorosos. “Precisaremos ser ainda melhores”, afirmou Spalletti, reconhecendo o impacto da perda das receitas da Champions League.
O treinador também sinalizou que a Juventus buscará reforços na próxima janela de transferências para fortalecer a personalidade do grupo.
Ascensão histórica do Como
Em contraste com a crise enfrentada em Milão e Turim, o Como vive um momento histórico. Sob a liderança do ex-campeão mundial Cesc Fabregas, o clube garantiu sua vaga na Champions ao lado de Inter Milan e Roma. “Quando cheguei há quatro anos como jogador, nós trocávamos de roupa em um bar.
Hoje estamos na Champions League”, declarou Fàbregas.
O sucesso do Como também reflete uma tendência atual do futebol italiano: a forte presença de jogadores estrangeiros nos elencos. O destaque da campanha foi o jogador que marcou 12 gols e deu sete assistências, atraindo o interesse do Real Madrid, que pode ativar a cláusula de recompra do meia de 21 anos.