Justiça do Rio autoriza quebra de sigilo de celular de Dr. Jairinho encontrado em cela

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo dos dados do celular encontrado na cela do ex – vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, na quarta – feira (1º), no Complexo de Gericinó. A decisão determina que a Divisão Especial de Inteligência Cibernética do Ministério Público do Rio extraia os dados do aparelho.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As partes envolvidas, incluindo a defesa de Jairinho, terão um prazo de 15 dias para recorrer da decisão. O advogado Rodrigo Faucz, representante do ex – vereador, informou que ainda não foi intimado sobre o assunto e que se manifestará somente após ter acesso aos detalhes da investigação.
Descoberta do celular
A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) encontrou o celular durante uma varredura na cela onde Jairinho cumpre pena desde junho deste ano. Informações de inteligência da Corregedoria da Seppen indicaram que o preso possuía um telefone celular.
Durante a busca, os agentes encontraram o aparelho escondido entre livros.
A Corregedoria – Geral da Seppen instaurou um processo disciplinar para investigar as circunstâncias em torno da posse do celular por parte de Jairinho. Em comunicado, a Seppen destacou que mantém fiscalização rigorosa nas unidades prisionais para impedir a entrada e circulação de itens proibidos e garantir a segurança no sistema prisional fluminense.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Contexto do caso Henry Borel
O caso envolvendo Henry Borel ganhou notoriedade após a morte do menino em 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com sua mãe, Monique Medeiros, e seu padrasto. Ele foi levado desacordado ao hospital, mas chegou sem vida. Inicialmente, tanto Monique quanto Jairinho alegaram que Henry havia sofrido um acidente doméstico ao cair da cama enquanto dormia.
No entanto, exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) desmentiram essa versão ao identificar 23 lesões pelo corpo da criança. A causa da morte foi determinada como hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.
Leia também
Agressões sistemáticas e condenação
As investigações realizadas pela Polícia Civil revelaram que Henry era submetido a uma rotina de agressões e torturas perpetradas por Dr. Jairinho. De acordo com o inquérito policial, Monique tinha conhecimento das violências e foi alertada pela babá sobre os abusos pelo menos um mês antes da morte do filho, mas não tomou providências.
Durante o desenrolar do processo judicial, Jairinho teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar e perdeu seu registro profissional como médico. No dia 4 de junho deste ano, ele foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelo homicídio duplamente qualificado de Henry Borel e por um crime relacionado à tortura.
Monique Medeiros também foi condenada por omissão diante das torturas sofridas pelo filho e recebeu uma pena de 1 ano e 4 meses de detenção, já considerada cumprida. A acusação contra ela pelo homicídio foi desclassificada para homicídio culposo, resultando em perdão judicial aplicado pela juíza Elizabeth Machado Louro durante o julgamento.
No decorrer das audiências, Monique acusou Jairinho pela primeira vez pela morte do filho durante seu interrogatório, afirmando acreditar que ele foi responsável pelas agressões contra Henry. O tribunal ouviu diversas testemunhas ao longo das sessões, incluindo delegados, médicos legistas e familiares.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



