Justiça de São Paulo remaneja júri popular de policiais militares para fevereiro de 2027
O remanejamento do júri popular reflete a complexidade do caso e as tensões entre defesa e acusação, que culminaram na anulação da sessão anterior.
A Justiça de São Paulo decidiu remanejar para fevereiro de 2027 o júri popular dos policiais militares envolvidos na morte de Vinicius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital). A informação foi divulgada na quarta – feira, 24. O julgamento ocorrerá entre os dias 22 e 26 de fevereiro, a partir das 10h, no Fórum Criminal de Guarulhos, localizado na Grande São Paulo.
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Motivos para o adiamento do júri
O adiamento do julgamento se deu após a anulação da sessão realizada na segunda – feira, 22. Durante essa audiência, houve uma série de desavenças entre as partes envolvidas, resultando no abandono do plenário pelos advogados dos réus. O clima acirrado e as discussões intensas entre acusação e defesa contribuíram para a decisão do juiz.
Os réus Denis Antonio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva são acusados de serem os responsáveis pela execução de Gritzbach, assassinato que aconteceu em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Além do homicídio qualificado de Gritzbach, eles também respondem pela morte do motorista Celso Araujo Sampaio de Novais e por duas tentativas de homicídio, uma vez que outras pessoas ficaram feridas durante o ataque.
Confusão e anulação da sessão
No primeiro dia do Tribunal do Júri, o julgamento terminou com a anulação no Fórum de Guarulhos. Após mais de dez horas de audiência, as discussões acaloradas entre advogados e promotores culminaram no encerramento prematuro da sessão. Ao longo do dia, foram trocadas acusações entre as partes e ocorreram embates durante os depoimentos das testemunhas.
Logo ao chegar ao fórum, os advogados dos réus manifestaram sua insatisfação com a condução da audiência. Eles alegaram que dados relacionados à geolocalização e supostas falhas em elementos periciais comprometiam a tese apresentada pelo Ministério Público.
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Tensões durante os depoimentos
As tensões começaram a aumentar durante o depoimento de um perito chamado para esclarecer um laudo técnico solicitado pela defesa. A defesa questionou como o perito obtivera conhecimento sobre o documento em questão. A troca de palavras entre os participantes foi tão intensa que gritos como “cínico” puderam ser ouvidos no tribunal.
Em resposta às acusações sobre uma reunião indevida entre o perito e a acusação, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo rejeitou o pedido da defesa para interromper o depoimento da testemunha.
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Confrontos finais no tribunal
Após ouvir o motorista que estava com Gritzbach e dois capitães da Polícia Militar envolvidos na investigação, o promotor Rodrigo Merli Antunes começou a questionar uma testemunha sobre uma investigação paralela relacionada a um suposto atentado contra um advogado presente no plenário em 2025.
Isso gerou reações da defesa, que considerou esse questionamento irrelevante para o caso em julgamento e alegou cerceamento ao exercício profissional dos advogados.
O Ministério Público defendeu seus questionamentos como pertinentes ao caso. As acusações mútuas entre defesa e promotoria aumentaram a tensão no ambiente judicial, chegando a quase um confronto físico e críticas sobre questões pessoais entre os presentes.
A expectativa agora recai sobre as novas datas marcadas para o julgamento em fevereiro de 2027.