Justiça aponta falhas da Enel no apagão causado por ciclone em SP

A Justiça de São Paulo condenou a Enel a pagar as despesas processuais por falhas na prestação do serviço durante o apagão causado pelo ciclone extratropical que atingiu a Grande São Paulo entre os dias 9 e 10 de dezembro de 2025. A decisão analisou uma ação da Defensoria Pública e do Ministério Público de São Paulo.
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O tribunal rejeitou a tese apresentada pela Enel de que o ciclone extratropical reduziria a responsabilidade da empresa pelos problemas enfrentados pela população. Para a Defensoria Pública, o fenômeno climático contribuiu para o apagão, mas não foi a única razão para a demora no restabelecimento da energia.
Falhas apontadas no atendimento da Enel
Durante a apuração do caso, foram identificados problemas na distribuição das equipes no horário comercial e na retomada do fornecimento para as residências durante a noite e a madrugada. Também foram citados o uso insuficiente de veículos de grande porte e a atuação de equipes sem preparação específica para ocorrências complexas.
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A investigação apontou ainda baixa resolutividade nos atendimentos e falhas no controle da vegetação próxima à rede elétrica. Para a Justiça, esse conjunto de deficiências indica que a demora não pode ser explicada apenas pela intensidade do ciclone extratropical.
Dados da nota Técnica nº 9/2026 – SFTANEEL, produzidos durante a análise do processo, registraram 6.715 ocorrências de interrupção do fornecimento em 10 de dezembro. A ANEEL esclarece que esse número representa registros de interrupção na rede, e não a quantidade de pessoas ou imóveis atingidos.
Desse total, 3.056 ocorrências (46%) levaram mais de 24 horas para ser solucionadas. Juntas, elas afetaram 759.304 unidades consumidoras. Houve consumidores que permaneceram sem energia até o sexto dia após o evento climático, enquanto a interrupção mais longa durou 142,8 horas.
Apagão teve impacto no trânsito e motivou cobrança da ANEEL
O temporal associado ao ciclone provocou quedas de árvores, alagamentos e danos à rede elétrica. Na segunda – feira (9) de dezembro de 2025, a capital paulista chegou a quase 1.500 km de congestionamento durante a tarde, o pior índice do ano.
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Os ventos alcançaram quase 90 kmh em pontos da região metropolitana, segundo previsões de institutos de meteorologia citadas pela ANEEL. Em um ofício, a agência pediu que a Enel explique por que o plano de contingência “não foi suficiente” para garantir a recomposição rápida do serviço.
A cobrança inclui informações técnicas, laudo meteorológico, detalhes sobre a mobilização das equipes e um gráfico completo da chamada Curva de Recomposição. A ANEEL também mencionou a “constante recorrência e gravidade das falhas” e alertou que a Enel pode perder a concessão se o desempenho continuar abaixo do esperado.
“A reincidência de falhas graves (…) poderá ensejar a recomendação de caducidade da concessão”, afirma o documento. A CNN Brasil procurou a Enel, mas não obteve retorno até o momento.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



