Jumper: O Filme Subestimado e a Saga que Nunca Deu Certo
Nos anos 2000, o filme Jumper surgiu como uma promessa de sucesso, com um conceito intrigante e um elenco talentoso. A premissa era simples: um jovem descobre a habilidade de se teletransportar para qualquer lugar do mundo, e se envolve em uma perseguição frenética contra um grupo de caçadores de Jumpers. Com um diretor experiente em ação, um astro recém-saído do universo de Star Wars e um superpoder que qualquer um sonharia, Jumper tinha tudo para se tornar um novo X-Men. No entanto, a realidade foi bem diferente.
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A Origem Literária e a Adaptação Cinematográfica
A história de Jumper tem suas raízes no romance de ficção científica de 1992 escrito por Steven Gould. O livro apresenta David Rice, um jovem que descobre ser um “Jumper”, uma pessoa com a habilidade de se teletransportar. A obra gerou três sequências, intituladas Reflex, Impulse e Exo. Em 2005, a New Regency Productions contratou Doug Liman (diretor de A Identidade Bourne e Sr. e Sra. Smith) para adaptar o livro para o cinema. Jim Uhls foi o roteirista responsável por reescrever um roteiro adaptado por David S. Goyer, que também escreveu a trilogia do Batman de Christopher Nolan. Isso demonstra que a equipe envolvida no filme não era composta por nomes desconhecidos.
O Elenco e os Problemas de Produção
Em abril de 2006, os atores Tom Sturridge, Teresa Palmer e Jamie Bell foram escalados para o filme. No entanto, o ator Tom Sturridge tinha apenas 19 anos na época, e o produtor Tom Rothman pediu ao diretor que escalasse alguém mais velho. Hayden Christensen, que havia estrelado Star Wars: A Vingança dos Sith, foi escolhido, o que gerou controvérsia. O estúdio ainda pressionou Liman para escalar o rapper Eminem para o papel principal, mas o diretor insistiu em Christensen. Após essa troca no papel principal, Liman também substituiu Teresa Palmer por Rachel Bilson. A produção do filme foi marcada por diversos problemas, incluindo atrasos, mudanças de roteiro e conflitos entre a equipe.
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As Ideias para Sequências e o Fracasso do Filme
Apesar do potencial da história, o filme Jumper não conseguiu alcançar o sucesso esperado. A crítica detonou o roteiro desorganizado, os personagens sem desenvolvimento e os diálogos pobres. Os títulos de jornais não perdoaram: “Salta muito, mas não chega a lugar nenhum”. O filme arrecadou mais de 220 milhões de dólares no mundo todo, com um orçamento de 85 milhões, mas a crítica não perdoou. A Fox não quis continuar a franquia, pois não queria uma vaca leiteira com franquias, brinquedos, spin-offs e videogames. A divulgação intensa do filme não sabiam a quem estavam vendendo o filme. Jovens? Adultos? Fãs de ação? Ficção científica? Romance? O público ficou confuso.
Impulse: Uma Continuação Espiritual
No entanto, algo inusitado aconteceu. Quase uma década depois, estreou Impulse, uma série produzida por Doug Liman em 2018, exclusiva do YouTube Premium. Embora vendida como algo novo, ela é uma continuação espiritual direta de Jumper. Ambientada no mesmo universo, com as mesmas regras de teletransporte, Impulse abandona os Paladinos e se aprofunda no drama psicológico. O poder não é libertador — é um peso. Mesmo com orçamento baixo e sem grandes nomes, a série teve duas temporadas e um encerramento digno. O próprio Steven Gould participou da produção e, dessa vez, conseguiu recuperar o tom original da sua obra.
