Investigação Revela Depósitos Fracionados na Conta do Presidente do São Paulo
Uma investigação aponta para depósitos fracionados que totalizam R$ 1,5 milhão na conta do presidente do São Paulo, Julio Casares. Os valores foram realizados entre janeiro de 2023 e maio de 2025, conforme dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) obtidos pelo UOL.
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A quantia representa 47% da renda total do dirigente durante o período analisado.
Operações de Pequenos Valores e “Smurfing“
Os documentos revelam que os depósitos foram feitos em pequenas quantias – uma prática conhecida como “smurfing”, utilizada para evitar a detecção por mecanismos de controle financeiro. Em um único dia, foram registradas 12 transações na conta do presidente são-paulino.
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Investigação Policial e Solicitação de Segredo de Justiça
Após um alerta emitido pelo banco onde Casares mantém sua conta corrente em 2023, a Polícia Civil iniciou a investigação. A pedido da polícia, foi solicitado segredo de Justiça em três ocasiões. Até o momento, a polícia confirmou a existência da investigação, mas não divulgou detalhes sobre o caso.
Declarações e Justificativas de Casares
Para justificar os recebimentos, Casares declarou que os valores eram “recursos recebidos em espécie do SPFC referente bonificação dos campeonatos”. Durante os 29 meses analisados, o dirigente teve renda total aproximada de R$ 3,2 milhões, sendo R$ 2,6 milhões acima do salário recebido no período.
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A análise dos documentos divide a investigação em três períodos consecutivos.
Detalhes dos Períodos de Depósitos
No primeiro período (janeiro de 2023 a março de 2024), Casares recebeu R$ 1,1 milhão em depósitos, com 17 transações em caixas e 62 em caixas eletrônicos. No segundo período (março a outubro de 2024), foram R$ 600 mil em depósitos, representando 53,5% da renda do dirigente naquele intervalo, com 24 operações em guichês e 12 em terminais eletrônicos.
No terceiro período (outubro de 2024 a maio de 2025), os documentos apontam depósitos que somam R$ 415 mil.
Envolvimento da Ex-Esposa
Além de Julio Casares, a investigação também envolve sua ex-esposa, Mara, diretora licenciada do clube. Os relatórios indicam que a conta do presidente era utilizada sistematicamente para pagar despesas dela, com 104 boletos bancários emitidos em seu nome.
Ela é investigada por supostamente se beneficiar de um esquema.
Outros Depósitos em Espécie
Os relatórios do Coaf revelam que, de janeiro de 2021 a novembro de 2025, foram sacados R$ 11 milhões em espécie do São Paulo, divididos em 35 operações. O salário oficial recebido por Casares do clube totalizou R$ 617 mil, correspondendo a apenas 19,3% de toda a movimentação em sua conta corrente no período investigado.
Resposta do São Paulo
O São Paulo informou ao UOL que acompanha as investigações e agirá conforme a lei e determinações judiciais, colocando-se à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos quando necessário. O clube afirma que apresentará a contabilidade integral dos R$ 11 milhões sacados em espécie e nega qualquer relação com os depósitos investigados na conta de Casares.
Resposta de Julio Casares
Julio Casares respondeu às acusações em nota, afirmando que todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e legítima. Ele ressaltou que, antes de assumir a presidência, desempenhou funções de alta direção na iniciativa privada com boa remuneração.
Casares disse que a origem e o lastro das movimentações serão detalhados e esclarecidos no curso das investigações, com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais.
