Juiz de Minas Gerais surpreende com despacho que mistura cultura e crítica ao digital

Um despacho inusitado da Justiça do Trabalho de Minas Gerais, assinado pelo juiz Adriano Antonio Borges, mistura cultura e crítica ao modelo digital.

07/06/2026 17:56

2 min

Juiz de Minas Gerais surpreende com despacho que mistura cultura e crítica ao digital
(Imagem de reprodução da internet).

Decisão Judicial em Minas Gerais Utiliza Linguagem Inusitada

Um despacho da Justiça do Trabalho de Minas Gerais se destacou pela linguagem singular empregada pelo juiz responsável. Em vez de se ater apenas aos aspectos processuais, o magistrado fez uso de referências à música popular brasileira, literatura e filosofia para justificar a necessidade de uma audiência presencial.

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No documento, o juiz Adriano Antonio Borges, da 2ª Vara do Trabalho de Itabira, inicia o ato processual solicitando que a parte autora apresente um documento de identificação e marca uma audiência para julho. Em seguida, ele aborda temas relacionados à tecnologia, à presença física e às relações humanas.

Referências Culturais e Críticas ao Modelo Digital

O despacho inclui expressões como “escravidão cibernética”, “plataformização da consciência” e “hipossuficiência tecnológica do trabalhador”. O juiz enfatiza que não se pode aceitar um estado “suicidário”, que se distancia do povo e reproduz desigualdades, “plataformizando” a consciência e limitando a liberdade de presença.

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Importância do Contato Presencial

Em outro trecho, o juiz critica a ideia de transformar o magistrado em uma “máquina de ler QR Code facial”, ressaltando a importância do contato físico nas audiências. Ele afirma que essa abordagem compromete a essência da atividade jurisdicional, dizendo: “Querem impedir o cruzamento de almas no ambiente físico da audiência; querem assassinar a física e a metafísica da dialética; querem reduzir a vida a uma tela”.

A decisão também traz referências a personagens e conceitos da literatura, mitologia e filosofia, como Apolo, Dionísio, Fausto e Mefistófeles. O juiz expressa seu desconforto com audiências virtuais, mencionando uma “náusea clariciana” e afirmando que somos seres de carne e osso, com emoções e presença, não solidão.

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Conclusão sobre o Modelo Presencial

Por fim, o magistrado conclui que, “na terra do poeta”, referindo-se a Itabira, cidade natal de Carlos Drummond de Andrade, não adotará o modelo de juízo 100% digital em períodos considerados normais. Com isso, determinou que a audiência seja realizada presencialmente.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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