Jovens de Mundos Distintos Revelam Segredos em Auditório da USP

Quatro vidas, um auditório: histórias que ecoam no Sul do Brasil! Descubra Ana, Luna, Soledad e Mari del Mar – um mosaico de culturas e sonhos

18/05/2026 13:34

5 min

Jovens de Mundos Distintos Revelam Segredos em Auditório da USP
(Imagem de reprodução da internet).

Quatro Histórias, Um Auditório

O primeiro dia de aula no auditório central de uma universidade pública no sul do Brasil reuniu quatro jovens com histórias que se entrelaçavam em torno da integração, do pluralismo linguístico e da rica diversidade latina. Ana Tierra, do povo Wayúu da Colômbia, carregava consigo a melodia do espanhol e do português, um eco de sua aldeia e da natureza exuberante da América Central.

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Estudava Mediação Cultural, buscando compreender a conexão entre sua vida, a cultura de seu povo e a complexidade do mundo ao seu redor.

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A Geometria da Fuga

Luna, por sua vez, trazia consigo a memória do Haiti, traçada nos desenhos do trançado de seus cabelos. Cursaria Geografia, e para ela, a geografia era mais do que mapas e fronteiras: era a história da fuga, da busca por liberdade, da luta pela sobrevivência.

Ela mencionava a voz de Cécile Fatiman, uma figura que a inspirava e a conectava com suas raízes.

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Soledad, com seu nome que parecia dissonar com sua beleza e vitalidade, vinha do interior de São Paulo. Estudava Ciências Sociais, vinda de uma família de professores e sindicalistas, em uma região marcada pela história do “saque de metais preciosos” – Diadema.

Seus livros eram companheiros constantes, mas havia algo estranho em sua presença, uma sensação de que seu nome não refletia a força e a vivacidade que emanavam dela.

Memórias em Rede

Mari del Mar, com sua mala trançada com rede de pescador, trazia consigo os elementos das histórias e memórias do povo Mebengôkre, do Pará. Ansiosa e insegura em relação à sua futura carreira em Relações Internacionais, ela se sentia dividida entre sua identidade como mulher negra e indígena e a perspectiva do curso.

Sua fala, carregada de expressões como “pai d’égua” e “égua”, revelava a riqueza de sua cultura originária.

Mari del Mar contava que aprendera a se misturar com a lama, a se conectar com a terra, esperando pelos ciclos da natureza, como os caranguejos. Ybytu, a narradora, observava com atenção os diferentes corpos e expressões dos jovens, captando as memórias e as histórias que carregavam.

Ela se apresentava como mestra na arte da invisibilidade intencional, doutora em questões de dúvidas contínuas sobre a vida, graduada em prazeres das águas, das florestas, dos povos e suas criações.

A Resistência do Vento

Ybytu acompanhava as mulheres por um ano, cuidando para que o tempo lhes tratasse bem, afastando dificuldades e medos que pudessem impedir sua integração à universidade. Ela se apresentava como o vento, que soprava para longe as dores e os obstáculos, buscando preservar a liberdade e a autenticidade de suas jornadas.

Silvia Federici, em seu livro “O Calibã e a Bruxa”, alertava para os dilemas históricos de inversão de sentido, como as bruxas e os ventos são frequentemente retratados.

Edoardo Galeano, através de suas palavras, ecoava a força da práxis humana, a capacidade de ouvir e tomar decisões frente aos ventos, que destroem, modificam e ressignificam os territórios e as vidas. As quatro jovens, Ana Tierra, Luna, Soledad e Mari del Mar, habitavam fluxos e contrafluxos de aprendizagens sobre as histórias soterradas de Nuestra América.

Viajar por suas histórias era reconhecer o quanto ainda tínhamos para aprender.

Ybytu se fazia presente, sem que elas a vissem, mas a sentissem, tecendo uma rede colorida de conexões entre as histórias, os sentimentos e os pertencimentos. As quatro jovens começaram a perceber, interagir e manifestar a presença física de Ybytu entre elas, amarrando momentos, vivências e, especialmente, sentimentos de pertencimento a uma aldeia, comum, em meio aos abismos sociais do território.

As histórias de Ana Tierra e Luna se misturavam aos ventos alísios, que sopram dos trópicos para o Equador e aos ventos contra alísios, que vêm do Equador para os trópicos. Para captar toda a expressão desses movimentos e suas trajetórias, precisariam de um instrumento técnico-científico chamado biruta.

Curioso como, em algumas regiões desses tristes trópicos do sul, a biruta também é sinônimo das mulheres que andam doentes da cabeça, doentes dos pés, doentes das almas. Essa construção social das dores femininas, muito presente na herança do fogo contra nós, bruxas, explicita o assombro dos ventos perigosos, que varrem, soterram, destroem os lugares por onde passam.

As palavras de Beto Guedes, “Vendaval, carrossel segue a vida a rolarPé na estrada, pó de estrelas, coração vulgarQue navega no céu, e navega no arGrão de areia a vagar/…/O grão de tão pequeno ser tão grande, o que a gente éTer esse destino de pessoa que sonhou/…/Aventuras, cicatrizes, segue o mundo a rodarDiamantes, universo, coração vulgarQue navega no céu e navega no ar/…/Grão de areia a bailarLá no fundo azul e anda que nem bolaComo a vida quando quer brotarRola como onda que nem fonte de calor/…/E navega no céu e navega no arGrão de areia a vagar”, nos lembram de que devemos seguir como grãos de areia a vagar, conectando nosso coração vulgar!

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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