
O perfil evangélico do Advogado Geral da União, Jorge Messias, pode não influenciar os membros da bancada religiosa no Senado, enquanto ele busca uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). De acordo com senadores evangélicos consultados, a orientação religiosa do indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “pouco importa” para convencer os parlamentares, especialmente durante a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
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No início de abril, Messias tentará conquistar o apoio dos senadores até o dia 29 de abril, quando a sabatina ocorrerá, conforme indicado pelo relator Weverton Rocha (PDT-MA). Durante a conversa com a CNN, senadores da bancada evangélica apontaram que um dos motivos para a possível rejeição de Messias foi sua atuação pela AGU contra uma resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) sobre a realização do procedimento de assistolia fetal.
O parecer da AGU considerava a decisão do conselho inconstitucional, uma vez que poderia resultar em feticídio em casos acima de 22 semanas, conforme previsto em lei. Na doutrina evangélica, o aborto é visto como um pecado grave e uma violação do princípio da santidade da vida.
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Messias se identifica como um “evangélico raiz”, alinhado à “esquerda conservadora” e frequentador da Igreja Batista Cristã de Brasília.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) expressou à CNN que muitos senadores, incluindo evangélicos, católicos e espíritas, votarão contra Messias. Ele destacou a necessidade de um STF independente e autônomo, considerando Messias como o mais ideológico entre os indicados.
A oposição no Senado já decidiu votar contra a escolha de Messias para o Supremo, embora o cenário possa mudar, especialmente com o apoio do ministro evangélico André Mendonça.
Senadores também mencionaram que seria “vergonha” usar o contexto religioso para fins políticos. Para ser aprovado, Jorge Messias precisará de pelo menos 41 votos. Aliados do indicado ao STF acreditam que ele pode ser aprovado no plenário do Senado com uma margem entre 48 e 52 votos.
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Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.