Novo Monumento no Santuário de Aparecida Promove Reflexão sobre a Pobreza
O Santuário Nacional de Aparecida inaugurou recentemente uma instalação impactante: a escultura “Jesus Sem-Teto”, que retrata Cristo deitado em um banco, coberto por um manto e com as marcas das chagas da crucificação em seus pés. A obra, localizada no Jardim Norte do complexo, foi o ponto central de uma celebração que reuniu lideranças da Igreja, dedicada ao tema da moradia digna e à reflexão sobre a realidade dos mais vulneráveis.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Reflexões sobre a Presença de Cristo nos Pobres
O padre Mauro Vilela, diretor do Santuário, destacou que o monumento “convida a todos nós a olhar e a reconhecer Cristo no rosto dos mais pobres” e a “defender a dignidade de todas as pessoas”. Ele enfatizou que a imagem de Cristo deitado representa uma concretização do Evangelho, lembrando que “se há irmãos e irmãs sem casa, sem abrigo, sem segurança, ali está o próprio Cristo”.
O Secretário executivo das Campanhas da Fraternidade da , padre Jean Paul, complementou, afirmando que a escultura é “um desafio à proximidade” e que o espaço vazio no banco é “pedagógico”, incentivando a ir além da simples aproximação física.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O Compromisso da Fé
Durante o rito de bênção, o cardeal dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB e Celam, ressaltou a importância de que a fé se traduza em compromisso social e cuidado com a vida. Citando São João Crisóstomo, ele afirmou que “não basta honrar o Cristo no altar se nós não buscamos para ele sequer o abrigo necessário”.
O padre Fábio Evaristo conduziu uma oração responsorial, repetida pela assembleia, com a frase: “Jesus escondido nos que dormem nas ruas, ensina-nos a amar”.
LEIA TAMBÉM!
A Mensagem da Campanha da Fraternidade
O padre Zezinho, reitor do Santuário, enfatizou que a Campanha da Fraternidade não é uma questão partidária, mas sim uma busca por aproximação, unidade e solidariedade. Ele recordou que Jesus não veio para ser servido, mas para servir, e que a mensagem cristã se resume à palavra “o outro”.
O padre Eduardo Catalfo, também reitor do Santuário, relacionou o monumento à realidade brasileira, observando que “nem todos nós temos um teto”. Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, destacou o impacto pastoral da Campanha da Fraternidade e a necessidade de coerência entre devoção e prática, incentivando a reflexão sobre a imagem e o impacto que ela pode ter sobre aqueles que não têm casa.
A Escultura e sua Mensagem
A escultura, de autoria do artista canadense, é uma peça em bronze e tamanho real que faz parte de uma série instalada em diversos países. A proposta estética busca provocar empatia e desconforto, convidando à reflexão sobre a presença de Cristo entre os pobres.
Em um país com um número crescente de pessoas em situação de rua, a imagem assume um caráter de denúncia, dialogando diretamente com o lema da Campanha da Fraternidade — “Ele veio morar entre nós” — e recolocando a moradia como um direito fundamental e expressão de dignidade.
Mais do que um ornamento sacro, o monumento interpela consciências, lembrando que o Cristo adorado no altar é o mesmo que “passa fome” e “está sem casa”.
