Jerome Powell encerra mandato no Fed após enfrentar crises históricas e desafios sem precedentes

Desafios da Presidência de Jerome Powell no Federal Reserve
A maior retração econômica da história dos Estados Unidos, a inflação mais alta em mais de 40 anos, ataques políticos intensos da Casa Branca e o pior choque energético global já registrado. Esses eventos marcaram os oito anos de liderança de Jerome Powell no Federal Reserve, o banco central americano.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Seu mandato chega ao fim nesta sexta-feira (15). Patrick Harker, ex-dirigente do Fed da Filadélfia entre 2015 e 2025, comentou à CNN que é difícil encontrar outro presidente do Fed que tenha enfrentado uma combinação tão desafiadora de crises econômicas.
Harker comparou a situação de Powell à de Marriner Eccles, que lidou com a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. A pandemia de Covid-19 foi um dos maiores obstáculos enfrentados por Powell, segundo economistas e ex-funcionários do Fed. Loretta Mester, que atuou no Fed de Cleveland de 2014 a 2024, afirmou que a pandemia representou um desafio inédito, com implicações profundas para a economia e as políticas fiscal e monetária.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Impactos da Pandemia na Economia
O fechamento abrupto de empresas em 2020 resultou em quedas recordes no Produto Interno Bruto (PIB) e no consumo, além de elevar a taxa de desemprego a 14,8% em abril de 2020, a maior desde a Grande Depressão. Os mercados financeiros também sofreram um colapso significativo.
Em resposta, Powell convocou duas reuniões de emergência em março de 2020, reduzindo as taxas de juros a quase zero e injetando liquidez no sistema financeiro por meio de um programa de empréstimos. Ele descreveu essas ações como um esforço “sem precedentes” para apoiar a economia.
Leia também
O objetivo de Powell era criar uma “ponte” para a recuperação econômica, e esses esforços, junto com a resposta do Congresso, foram amplamente reconhecidos por atenuar o impacto inicial da pandemia. Erin Lockwood, professora de ciência política da Universidade da Califórnia, Irvine, destacou que a resposta do Fed à Covid foi eficaz em restaurar a estabilidade do mercado e garantir o acesso ao crédito.
Críticas e Desafios Inflacionários
Em 2021, com as empresas correndo para recontratar trabalhadores, houve uma pressão por salários mais altos, resultando na maior alta inflacionária em quatro décadas. Naquele momento, muitos formuladores de políticas, incluindo Powell, acreditavam que a pressão sobre os preços seria “transitória”, uma avaliação que se mostrou equivocada.
A inflação se mostrou mais persistente, em grande parte devido à demanda dos trabalhadores por aumentos salariais.
O Fed, então, começou a aumentar as taxas de juros em março de 2022, iniciando o ciclo de aumento mais agressivo desde a década de 1980. Powell alertou sobre a “dor necessária” que esses aumentos poderiam causar às famílias americanas. Apesar do impacto dos custos de empréstimo mais altos, a economia dos EUA demonstrou resiliência, evitando uma recessão.
Críticos frequentemente apontam para a inflação como um erro do Fed, mas Mester e Harker ressaltaram que a situação era sem precedentes e que o erro não foi exclusivo do Fed, mas um consenso geral da época.
Legado e Independência do Fed
O legado de Powell também será moldado pela sua luta para manter a independência do Fed em relação à interferência política. Desde o início de seu mandato em 2018, Trump criticou Powell por não reduzir as taxas de juros, intensificando a pressão sobre o Fed durante seu segundo mandato.
O Fed, no entanto, toma decisões com base nas condições econômicas, e não nas exigências políticas, um princípio fundamental estabelecido na criação do Fed em 1913.
Powell frequentemente reiterou a importância da independência do Fed para preservar a estabilidade de preços. Durante seu último ano como presidente, ele enfrentou investigações sobre seu depoimento ao Congresso e reafirmou seu compromisso com a autonomia do banco central.
Em suas declarações, Powell aconselhou o futuro presidente do Fed a manter distância da política eleitoral, enfatizando a importância de decisões baseadas em análises e discernimento, em vez de pressões políticas.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



