Jared Kushner apresenta plano para Gaza pós-guerra em Davos
“Temos um plano mestre… Não há um Plano B”, afirmou Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump, ao compartilhar sua visão para Gaza após o conflito. A declaração foi feita durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
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Kushner destacou que, caso o plano não funcione, a culpa poderá ser facilmente atribuída ao Hamas, que, segundo ele, deve se desmilitarizar para que o povo de Gaza possa realizar suas aspirações.
A apresentação ocorreu logo após a assinatura de uma carta do presidente dos EUA, que representa a próxima fase do plano de cessar-fogo, previsto para outubro de 2025. Kushner, que teve um papel crucial na mediação desse acordo, expressou otimismo, embora tenha omitido a menção à força internacional de estabilização, essencial no plano original de cessar-fogo de Trump.
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Desenvolvimento de infraestrutura em Gaza
Um mapa foi exibido, mostrando o potencial desenvolvimento do território. Uma zona de “turismo costeiro” se estenderia ao longo da costa, com espaço para até 180 arranha-céus, muitos destinados a hotéis. Um porto foi projetado na extremidade sudoeste de Gaza, próximo à fronteira com o Egito, e um aeroporto seria construído nas proximidades.
Kushner também apresentou dois projetos de urbanização, chamados Nova Rafah e Nova Gaza. Em Nova Rafah, mais de 100 mil unidades habitacionais permanentes, 200 escolas e 75 instalações médicas estão previstos. Ele espera que a construção seja concluída em dois ou três anos, com os trabalhos de remoção de escombros já iniciados.
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Desafios e financiamento do plano
A magnitude da tarefa é imensa, e a apresentação não detalhou como tudo será realizado. Os bombardeios israelenses, em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, danificaram ou destruíram mais de 80% dos edifícios em Gaza. Kushner afirmou que os governos farão as primeiras contribuições, com anúncios a serem feitos em uma conferência em Washington nas próximas semanas.
Ele também fez um apelo ao setor privado, prometendo “oportunidades de investimento incríveis”. Apesar dos riscos, pediu que investidores acreditassem e aplicassem recursos na região. A situação política e a presença militar israelense em Gaza também foram abordadas, com a necessidade de uma força internacional de estabilização ainda sem definição clara.
Desmilitarização e o papel da Autoridade Palestina
Kushner enfatizou que a supervisão da desmilitarização do Hamas ficará a cargo de um novo comitê tecnocrático, formado exclusivamente por palestinos. Ele destacou que, sem essa desmilitarização, a reconstrução não será possível. O plano inclui a destruição de armas pesadas e infraestrutura militar, mas não detalhou como isso será feito.
A Autoridade Palestina expressou preocupações sobre a centralidade do novo comitê na política palestina. Embora a AP tenha sido mencionada como a futura autoridade civil em Gaza, a UNRWA, que atende a refugiados palestinos, parece estar excluída do processo.
Kushner indicou que o foco será em melhores práticas globais, sugerindo um possível fim da atuação da UNRWA na região.
Histórico de planos para Gaza
Esta não é a primeira vez que Kushner apresenta uma visão ambiciosa para Gaza. Em 2019, ele organizou uma cúpula no Bahrein, chamada “Da Paz à Prosperidade”, que também idealizou um centro comercial e turístico na região. No entanto, esses planos não avançaram devido à falta de vontade política.
O novo chefe do comitê tecnocrático de Gaza, Ali Shaath, afirmou que é crucial transformar este momento em ação. Ele anunciou a reabertura da passagem de Rafah entre Gaza e o Egito, sinalizando que o enclave “não está mais fechado para o futuro e para o mundo”.
