Japão classifica como “inaceitável” a proibição da China às exportações militares, elevando tensões entre as duas potências asiáticas. O que vem a seguir?
Na quarta-feira (7), o Japão classificou como “absolutamente inaceitável” a proibição da China às exportações de bens de dupla utilização para seu setor militar. Essa medida ocorre em meio a uma crescente tensão entre as duas maiores economias da Ásia, especialmente em relação a terras raras essenciais para a fabricação de drones e chips.
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A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, iniciou a disputa no final do ano passado ao afirmar que um ataque chinês a Taiwan poderia ser visto como uma ameaça existencial ao Japão. A China, que considera Taiwan parte de seu território, exigiu que Takaichi se retratasse, mas ela não atendeu ao pedido, resultando em uma série de contramedidas, incluindo a recente proibição de exportações para fins militares.
Minoru Kihara, secretário-chefe do Gabinete japonês, expressou que a medida é lamentável e difere das práticas internacionais. Em uma coletiva de imprensa, ele evitou comentar sobre o impacto na indústria japonesa, pois ainda não estava claro quais itens seriam afetados.
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O índice Nikkei da bolsa japonesa caiu cerca de 1%, enquanto as ações de grandes empreiteiras militares, como Kawasaki Heavy e Mitsubishi Heavy, tiveram perdas de aproximadamente 2%. A situação levanta preocupações sobre as implicações para a indústria japonesa, especialmente no setor automotivo.
Desde a última restrição da China às exportações de terras raras em 2010, o Japão tem buscado diversificar suas fontes, mas ainda depende da China para cerca de 60% de suas importações. Para alguns elementos críticos, como os usados em ímãs para motores de veículos elétricos, essa dependência é quase total.
A montadora Subaru está atenta à situação, enquanto outras empresas, como Toyota e Nissan, ainda não se manifestaram. Economistas estimam que uma restrição de três meses às exportações de terras raras poderia custar ao Japão 660 bilhões de ienes (US$ 4,2 bilhões) e reduzir o PIB em 0,11%.
Analistas sugerem que Tóquio pode retaliar se as proibições chinesas afetarem empresas japonesas de forma mais ampla. Cameron Johnson, da consultoria Tidalwave Solutions, afirmou que o Japão poderia direcionar suas respostas a setores como semicondutores, que são cruciais para a China.
Além disso, a China iniciou uma investigação antidumping sobre as importações japonesas de diclorosilano, um produto químico vital para a indústria de semicondutores. Desde os comentários de Takaichi sobre Taiwan, a China tem tomado medidas contra o Japão, incluindo a suspensão de importações de frutos do mar.
Apesar das tensões, a popularidade de Takaichi no Japão permanece alta, segundo pesquisas. Analistas comparam a atual crise à de 2012, quando a nacionalização de ilhas disputadas gerou protestos na China e interrompeu reuniões entre os líderes dos dois países por dois anos e meio.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China reiterou a indignação de Pequim em relação aos comentários de Takaichi, pedindo que o Japão reflita sobre suas ações e se retrate. A situação continua a evoluir, com possíveis desdobramentos nas relações bilaterais.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.