Japão intensifica esforços para diversificar fornecedores de terras raras, com Goiás como uma das alternativas promissoras após restrições da China
O Japão, que recentemente enfrentou restrições da China sobre a compra de terras raras, já estava em busca de alternativas para diversificar seus fornecedores, incluindo o Brasil. Na última terça-feira (6), a China impôs uma proibição à exportação de certos elementos de terras raras e outros itens ao Japão, que poderiam ser utilizados para fins militares, aumentando a tensão entre os dois países.
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Essa decisão segue declarações recentes do governo japonês sobre Taiwan, um tema delicado para Pequim.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), 91% do refino mundial de terras raras é realizado por empresas chinesas, que também são responsáveis por cerca de 94% da produção global de ímãs permanentes, essenciais para turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos de defesa.
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Uma das alternativas para diversificação é Goiás.
As negociações começaram no início de 2025, quando o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, visitou o Japão e se reuniu com investidores e autoridades locais para discutir o assunto. Em agosto de 2025, Caiado se encontrou com o ex-embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, para explorar um possível acordo de cooperação entre o governo japonês e o estado de Goiás para a exploração de terras raras.
Durante a reunião, o governador enfatizou que qualquer acordo deve priorizar a transferência de tecnologia e o avanço para etapas de maior valor agregado na cadeia produtiva, em vez de se limitar à extração do minério. Caiado também mencionou que o governo estadual pode autorizar, em até três meses, o início de “qualquer” pesquisa ou instalação de projetos no estado.
No norte de Goiás, em Minaçu, a mineradora Serra Verde, com investimentos bilionários de países ocidentais, já realiza atividades de mineração e processamento de terras raras. Além disso, municípios como Nova Roma, Catalão e a Província Estanífera de Goiás possuem grandes reservas desse tipo de minério.
Em 2025, o governador sancionou uma lei que criou a Autoridade Estadual de Minerais Críticos, responsável por elaborar políticas públicas relacionadas à pesquisa, exploração, refino, industrialização, transporte e comercialização dos minerais críticos em Goiás.
A legislação também permite a criação de Zonas Especiais de Minerais Críticos, que receberão benefícios econômicos, fiscais e creditícios, além de investimentos em infraestrutura de transporte, logística e energia.
Além disso, a nova lei institui o Fundo Estadual de Desenvolvimento dos Minerais Críticos, destinado a financiar projetos e iniciativas na área.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.