Jair Bolsonaro é condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe, com delações e investigações revelando a trama golpista.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve sua pena de prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça-feira (25). Para entender esse desfecho, é importante relembrar os principais envolvidos na trama golpista que resultou na condenação de Bolsonaro.
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Bolsonaro foi sentenciado por liderar a tentativa de golpe e recebeu a pena máxima da Primeira Turma do STF: 27 anos e três meses de prisão em regime fechado. Antes da decisão sobre o cumprimento da pena, ele passou mais de 100 dias em prisão domiciliar.
O tenente-coronel Mauro Cid foi um dos principais aliados de Bolsonaro durante seu tempo no Palácio do Planalto. Com o avanço das investigações, Cid passou de aliado a inimigo, sendo considerado pela Polícia Federal como o “operador” de Bolsonaro.
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Seu papel era crucial para a organização criminosa, conectando diversos núcleos da trama.
As investigações revelaram que Cid tinha a função de proteger Bolsonaro, atuando como elo de comunicação nas ações para reverter o resultado das eleições de 2022. Sua proximidade com o ex-presidente e acesso a documentos importantes, como a “minuta do golpe”, o tornaram uma figura central nas tentativas de intervenção.
Em 9 de setembro de 2023, Mauro Cid decidiu colaborar com a Justiça e firmou um acordo de delação premiada, homologado por Alexandre de Moraes. Ele forneceu informações que implicaram diretamente Bolsonaro e a cúpula militar no plano golpista, confirmando que o ex-presidente leu e sugeriu alterações na minuta do golpe.
O delegado da Polícia Federal, Fábio Schor, foi o responsável pela investigação que fundamentou a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre a tentativa de golpe. Schor e sua equipe reuniram provas e depoimentos que sustentaram as acusações, resultando no indiciamento de Bolsonaro e mais 36 pessoas.
A liderança da investigação fez de Schor um alvo de críticas por parte de aliados de Bolsonaro. Ele chegou a prestar depoimento no STF para esclarecer aspectos da investigação, que culminou em uma denúncia abrangente.
Em 18 de fevereiro de 2025, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou a denúncia ao STF contra Bolsonaro e outros envolvidos na suposta trama golpista. A acusação detalhou a participação de 34 pessoas, incluindo militares e ex-ministros, e alegou que o grupo tentou manter Bolsonaro no poder, desconsiderando o resultado das eleições de 2022.
Gonet argumentou que Bolsonaro e os demais deveriam ser condenados por crimes graves, como organização criminosa armada e golpe de Estado. Ele concluiu que Bolsonaro não apenas tinha conhecimento do plano, mas também liderou as articulações para se manter no poder.
Alexandre de Moraes, além de presidente do TSE durante as eleições de 2022, foi o relator do processo que resultou na condenação de Bolsonaro. Ele conduziu a investigação sobre a trama golpista, autorizando ações como buscas e apreensões, prisões preventivas e quebras de sigilo.
Moraes também homologou a delação de Mauro Cid, um marco na investigação, que garantiu que as provas fossem encaminhadas à PGR. Sua atuação gerou debates sobre imparcialidade, especialmente após ataques direcionados a ele, que foram considerados ataques ao Judiciário.
Apesar das críticas, Moraes manteve sua posição firme, conduzindo o processo até a decisão final, que resultou na condenação de Bolsonaro e outros réus. Além disso, ele é relator de processos relacionados aos atos de 8 de janeiro, com penas variando de 1 a 17 anos de prisão.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.