“Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez”: Uma História Resgatada no Coração de São Paulo
A Cia do Pássaro traz de volta ao palco a peça “Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez”, uma montagem que mergulha na história de Jacinta Maria de Santana, uma mulher negra cuja vida, marcada pela pobreza e pela morte precoce, foi marcada por uma exposição macabra.
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A peça reestreia em São Paulo (SP) com o objetivo de resgatar essa narrativa esquecida, que se desenrola no Largo São Francisco, local onde seu corpo permaneceu embalsamado por quase três décadas.
A Trajetória de Jacinta e a Montagem Teatral
A história de Jacinta, que permaneceu praticamente desconhecida por décadas, voltou à tona graças à pesquisa da historiadora Suzane Jardim, que encontrou registros de 1929 sobre a exposição do corpo da mulher. Jacinta era uma mulher pobre que, após uma queda na rua próxima à Estação da Luz, faleceu antes de chegar à Santa Casa de Misericórdia.
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Seu corpo foi então entregue ao médico legista Amâncio de Carvalho, que decidiu embalsamá-lo para fins de estudo. A partir daí, Jacinta permaneceu exposta na Faculdade de Direito do Largo São Francisco por cerca de 30 anos, tornando-se um objeto de curiosidade científica e, infelizmente, um símbolo de marginalização.
A peça, escrita e dirigida por Dawton Abranches, conta com a atuação de Gislaine Nascimento como Jacinta, Alessandro Marba como Exu Tatá Caveira e Camila Silva, responsável pela trilha sonora ao vivo com cavaquinho. A montagem se insere no projeto “Trilogia do Resgate” da Companhia do Pássaro, que busca recuperar trajetórias de indivíduos marginalizados e esquecidos pela história.
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Elementos da Peça e Referências Teóricas
Em cena, a narrativa assume um tom poético. A atriz narra a trajetória de Jacinta, enquanto o ator Marba, interpretando Exu Tatá Caveira, manipula tempo e espaço, conduzindo o encontro entre a atriz e a personagem. A montagem estabelece relações entre o caso e processos históricos mais amplos, como o racismo científico e a disseminação de ideias eugenistas no Brasil do início do século 20.
A equipe dramatúrgica utilizou referências teóricas de autoras como Cida Bento, Leda Maria Martins, Neusa Santos Souza, Sueli Carneiro e Rosane Borges, buscando refletir sobre memória, apagamento histórico e a complexidade da identidade negra no Brasil.
A peça, que utiliza a linguagem do teatro popular, já circulou por unidades dos CEUs em São Paulo, além de realizar temporadas no Sesc Copacabana e apresentações em cidades do interior paulista. A nova temporada na capital busca recolocar em debate uma história pouco conhecida da cidade e homenagear a memória de Jacinta Maria de Santana.
Informações da Temporada
Temporada gratuita entre 7 e 29 de março
Local: Espaço Cia do Pássaro – Voo e Teatro
Endereço: R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/SP
Ingresso: gratuito, por ordem de chegada – Retirar com uma hora de antecedência
Sessões: sábados, às 20h, e domingos, às 19h.
Não haverá sessão no dia 21 de março (sábado). Haverá sessão extra no dia 29 de março (domingo), às 15h.
Duração: 80min
Classificação: 14 anos
Acessibilidade: Libras em todas as sessões | O espaço também é acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
