Iván Cepeda enfrenta Trump em segundo turno na Colômbia
Iván Cepeda disputa o segundo turno contra Trump na Colômbia, em pleito marcado pela polarização política e força da extrema direita
O segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia ocorrerá neste domingo, dia 21, momento em que os eleitores decidirão sobre o futuro do país e se o projeto político iniciado por Gustavo Petro deve ser mantido. O pleito coloca em disputa o candidato de esquerda, Iván Cepeda, contra uma força que representa o retorno da extrema direita, com forte apoio de figuras como Donald Trump.
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Apesar das pesquisas eleitorais indicarem um favoritismo considerável para Cepeda, o candidato não conseguiu a liderança no primeiro turno, um resultado que surpreendeu analistas e levantou questionamentos sobre a idoneidade do próprio processo eleitoral.
A Polarização Política e a Coalizão da Direita
A análise do cenário político aponta para um grau elevado de polarização. A especialista internacional Amanda Harumy observou que a extrema direita demonstrou uma capacidade de aglutinação de votos extremamente rápida. Anteriormente, essa força política estava um tanto dispersa entre figuras como Paloma Valencia e La Espriella, mas conseguiu se unificar em torno de uma plataforma coesa.
Segundo Harumy, esse movimento significou um distanciamento do tradicional uribismo. Os eleitores se uniram em uma nova vertente de extrema direita, que ela descreveu como “muito caricata”, mas alinhada tanto aos Estados Unidos quanto ao apelo de figuras como Bukele, que se mantém popular na região.
A analista enfatiza que o pleito será disputado de maneira extremamente acirrada, “voto a voto”.
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Ela também fez uma avaliação sobre o otimismo da esquerda. Harumy explicou que o resultado do primeiro turno contradisse a tendência apontada pelas pesquisas. A esquerda havia consolidado seu apoio em torno de Iván Cepeda, baseando-se em um diagnóstico positivo gerado pelas eleições de março, que foram consideradas favoráveis ao campo progressista em níveis departamentais e de deputados.
Desafios da Esquerda e a Força Estrutural da Direita
Um fator crítico a ser considerado é o alto índice de abstenção registrado no primeiro turno. As pesquisas mais recentes indicam que cerca de 20% do eleitorado permanece indeciso em relação ao seu voto no segundo turno. Por isso, Harumy defende que é imperativo que a esquerda encontre mecanismos eficazes para mobilizar esses eleitores indecisos.
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A especialista calculou que o cenário para a esquerda é particularmente desafiador. Ela apontou que, se for feito um cálculo matemático frio, somando os votos recebidos por Paloma e Abelardo no primeiro turno, o cenário se torna muito difícil para o bloco progressista.
Além disso, Harumy destacou que o histórico da extrema direita na Colômbia, mesmo com o governo de Petro recebendo boas avaliações, continua a favorecer a força política da direita. Ela atribuiu essa resiliência à estrutura regional do interior do país, onde a influência latifundiária da extrema direita é muito forte.
Para a analista, o apelo ideológico é o principal motor dessa força. Embora o uribismo tenha sofrido desgaste devido à comprovação de ligações de Álvaro Uribe com o narcotráfico, a extrema direita, como projeto de nação, sempre soube se apropriar do tema da guerra civil.
Este foco na disputa com o narcotráfico e as guerrilhas é o que, segundo ela, garante a manutenção do discurso da segurança pública.
O resultado do primeiro turno, portanto, não apenas surpreendeu os analistas, mas também expôs as profundas divisões e os desafios de mobilização que enfrentarão os candidatos na disputa final.