Israel anuncia fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental após restrições comerciais
A decisão amplia o desgaste entre Israel e aliados ocidentais antes da articulação na ONU, prevista para setembro, e das eleições israelenses em outubro.
Israel anunciou nesta terça – feira (8) o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental. A decisão foi apresentada como resposta aos planos do Reino Unido, França e Canadá de barrar importações de assentamentos israelenses na Cisjordânia.
O ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, também informou que o Reino Unido deixará a missão de coordenação liderada pelos, enquanto alguns funcionários britânicos, entre eles o ex – líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, e outros cidadãos serão impedidos de entrar em Israel.
Israel reage às medidas comerciais
Saar classificou a decisão britânica como “moralmente distorcida” e uma interferência nos assuntos internos de um Estado soberano. Ele também chamou de “mentiras ultrajantes” as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, sobre uma suposta limpeza étnica de palestinos por Israel.
O consulado britânico em Jerusalém Oriental mantém acreditação junto à Autoridade Palestina na Cisjordânia. Saar disse ainda que coordenou a resposta israelense com o, acusando a Grã – Bretanha de tentar interferir nas próximas eleições israelenses, previstas para o final de outubro.
As restrições comerciais se somam a uma sequência de medidas contra a política de assentamentos de Israel. Para os críticos, as ações evidenciam o aumento do isolamento diplomático do país entre alguns de seus aliados tradicionais.
“Hoje marca mais um ponto de virada em nossa abordagem para proteger a solução de dois Estados”, afirmaram em uma declaração conjunta o primeiro – ministro britânico Andy Burnham, o presidente francês Emmanuel Macron e o . Os três disseram que levarão adiante a articulação na Assembleia Geral das Nações Unidas ainda em setembro.
Países defendem solução de dois Estados
Em comunicado separado, os ministros das Relações Exteriores de outros nove países, entre eles Dinamarca, Noruega, Polônia, Espanha e Suécia, reafirmaram o apoio a um acordo negociado. A proposta prevê um Estado palestino coexistindo pacificamente com Israel.
Leia também
“Juntos, estamos determinados: deve ser protegida e tomaremos medidas em busca de uma paz justa e duradoura”, disseram os ministros. Ed Miliband afirmou que o Reino Unido não poderia continuar apenas a “denunciar” a injustiça e o sofrimento, sem agir contra o avanço dos assentamentos.
A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, escreveu no X que o país considera há décadas a solução de dois Estados a melhor alternativa para uma paz duradoura no Oriente Médio e para atender às preocupações de segurança de Israel.
Segundo ela, “os assentamentos ilegais na Cisjordânia comprometem significativamente esses objetivos”.
As Nações Unidas, os palestinos e a maioria dos países classificam os assentamentos como ilegais segundo o direito internacional. Israel rejeita esse entendimento. Uma reportagem da Reuters publicada nesta terça – feira revelou que o governo israelense financia alguns dos, que usam fazendas ilegais para expulsar palestinos.
Expansão dos assentamentos aumenta tensão
A França justificou suas medidas citando a “expansão frenética” dos assentamentos e o “aumento da violência”. afirmou que as sanções poderiam desestabilizar a Cisjordânia e declarou que Washington não impediria as importações vindas dos assentamentos israelenses.
O rabino – chefe do Reino Unido, Sir Ephraim Mirvis, chamou o plano de sanções de “um dia sombrio para os judeus britânicos”. Ele acusou o governo do Reino Unido de adotar uma “política de gestos” e escreveu no X que as medidas poderiam fortalecer o extremismo que pretendem enfrentar.
A produção dos assentamentos na Cisjordânia é principalmente agrícola, com itens como tâmaras, frutas cítricas, ervas e vinho. Esses produtos representam uma pequena parcela das exportações israelenses, o que faz com que as restrições tenham efeito majoritariamente simbólico, sem atingir os fluxos comerciais bilaterais mais amplos.
As proibições, porém, fazem parte de uma estratégia mais ampla de apoio à solução de dois Estados. Na terça – feira, Israel também anunciou planos para construir mil novas casas.
Reino Unido amplia sanções e critica Israel
Ed Miliband, que assumiu o cargo de ministro das Relações Exteriores britânico em julho, afirmou que o Reino Unido considera que há uma limpeza étnica de palestinos em áreas da Cisjordânia. “Hoje, recusamo – nos a ser espectadores de mais sofrimento e da destruição da solução de dois Estados”, disse.
O projeto de assentamentos E 1, na Cisjordânia e próximo de Jerusalém, está entre os principais focos de preocupação. A área atravessaria terras reivindicadas pelos palestinos para a criação de um futuro Estado independente.
As relações entre Israel e o Reino Unido se deterioraram nos últimos anos. Londres passou a criticar a conduta israelense em Gaza, a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e o aumento dos ataques de colonos contra palestinos.
Em 2025, o Reino Unido reconheceu, junto com outros países, um Estado palestino como forma de impulsionar a solução de dois Estados. O país também havia aplicado sanções contra assentamentos na Cisjordânia em junho.
A França anunciou a proibição de produtos dos assentamentos em meio à pressão de países da União Europeia por uma resposta conjunta. Até agora, o bloco não obteve a maioria qualificada necessária, em grande parte por causa da oposição de países como .
Miliband disse que a nova legislação britânica começaria a valer em seis a nove meses. Ele acrescentou que vários colonos extremistas seriam sancionados imediatamente.
O ministro também reconheceu a ameaça representada pelo Irã a Israel e anunciou sanções contra a instituição financeira Al – Qard Al – Hassan, administrada pelo Hezbollah. O Reino Unido ainda pretende restabelecer sanções econômicas ao Irã, em alinhamento com a União Europeia e os EUA.