Conflito Irã-Israel: Crise ambiental ameaça o planeta! 🚨 Riscos climáticos e de saúde se intensificam com ataques e podem gerar emergência nuclear. Saiba mais!
A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã atingiu o primeiro mês de duração no final de semana. Um relatório do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (Ceobs) revela que, além das perdas de vidas, os riscos ambientais e climáticos na região estão se intensificando, ameaçando a saúde pública, ecossistemas terrestres e marinhos, recursos naturais e aquíferos.
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Os pesquisadores alertam para a gravidade da situação, com mais de 300 incidentes com danos ambientais já identificados nas primeiras três semanas do conflito.
O levantamento do Ceobs detalha os principais riscos ambientais associados ao conflito, abrangendo um amplo espectro de áreas de preocupação. Entre eles, destacam-se os riscos nucleares, decorrentes dos ataques às instalações de enriquecimento de urânio em Natanz e à proximidade do reator de Bushehr no Irã, bem como os bombardeios de instalações israelenses.
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A Agência Internacional de Energia Atômica e a Organização Mundial da Saúde expressaram preocupação com a possibilidade de uma emergência nuclear na região.
Além disso, a guerra causou danos significativos à infraestrutura de combustíveis fósseis, incluindo a interrupção e destruição de dezenas de locais de produção, processamento e armazenamento de petróleo. Isso resultou em incêndios em instalações de armazenamento e no risco de derramamentos, com potencial para contaminar portos e a costa do Golfo Pérsico.
A presença de navios cargueiros atacados pelo Irã, principalmente cargueiros a granel, também representa uma ameaça constante de derramamentos e a capacidade limitada de resposta a eles.
A situação se agrava no Mar Vermelho, onde os ataques dos Houthis, movimento político e militar do Iêmen, provocam graves incidentes de poluição. A continuação desses atos representa uma ameaça ao ecossistema marinho e à pesca. Ataques retaliatórios de Israel e EUA contra infraestrutura portuária e energética também geram riscos de poluição costeira.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) tem alertado para os danos ambientais generalizados e pediu o fim das hostilidades, enfatizando o impacto imediato e severo do conflito na saúde humana e ambiental.
O conflito no Irã está gerando preocupação global, com impactos que se estendem além da região do Oriente Médio. Os preços e a disponibilidade reduzida de gás estão levando alguns países a retomarem o uso do carvão, enquanto as exportações de ureia e fertilizantes estão elevando os preços, prejudicando a produção agrícola em países importadores como Sudão e Somália.
Estimativas indicam que, em 14 dias, a guerra emitiu 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono, e se o conflito persistir, as emissões mensais podem ultrapassar 10 milhões de toneladas. O professor Wagner Ribeiro, especialista em geopolítica e meio ambiente da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que o bombardeio de usinas de processamento de petróleo não apenas dificulta a infraestrutura do inimigo, mas também queima o material e agrava a emissão de gases de efeito estufa.
Um levantamento recente do Instituto Talanoa revela que o setor militar mundial é o quinto maior emissor de gases de efeito estufa, com cerca de 2,7 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GTCO2e), representando 5,5% das emissões globais. A China lidera essa lista, seguida por Estados Unidos, Índia, Rússia, Indonésia e Brasil.
O estudo destaca que conflitos armados mantêm emissões estruturais, mas podem gerar picos intensos em períodos menores, como na guerra na Ucrânia (311,4 GTCO2e) e nos ataques israelenses na Faixa de Gaza (33,2 MtCO2e). As emissões ocorrem em toda a cadeia militar, desde o transporte de tropas e armamentos até o lançamento de mísseis e a produção de artefatos de destruição da vida.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.