Irã surpreende mundo! Ataques EUA-Israel escalam conflito no Oriente Médio. Surpreendente resistência e ameaça ao Estreito de Ormuz. Crise global se aproxima?
Um mês após o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o cenário no Oriente Médio se mostra radicalmente diferente do que Washington e Tel Aviv esperavam. O que inicialmente parecia ser uma operação rápida transformou-se em um conflito regional de proporções inesperadas, com o Irã demonstrando uma capacidade de resistência e contra-ataque que surpreendeu seus agressores.
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A analista internacional Amanda Harumy, da Rádio Brasil de Fato, ressalta que “De fato, o Irã surpreende os Estados Unidos e Israel por ter uma capacidade bélica de contra-atacar”.
O primeiro mês de guerra revelou um desconhecimento alarmante por parte do Ocidente sobre as reais capacidades militares e políticas do Irã. “Nós não tínhamos essa dimensão da capacidade bélica do Irã e havia muito desconhecimento da capacidade política do Irã.
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O Ocidente nega essas estruturas e é isso que vem surpreendendo, principalmente os Estados Unidos e Israel”, explica Harumy. A analista enfatiza que essa surpresa se acentua considerando a reputação da inteligência militar norte-americana, que tradicionalmente é vista como superior.
Um dos principais trunfos do Irã nesse conflito é seu controle sobre o Estreito de Ormuz, rota vital para cerca de 20% do petróleo mundial. Essa posição estratégica tem moldado as decisões políticas e econômicas em escala global. “O Irã tem a capacidade geográfica de controlar o Estreito de Ormuz e fazer com que 20% do petróleo que sai ali do lado dos Emirados Árabes Unidos, da Arábia Saudita e precisa dessa rota não passe, impactando o preço global”, explica Harumy. “Isso traz uma dimensão de crise econômica para inúmeros países, inclusive nós latino-americanos.
Mesmo o Brasil, sendo exportador de petróleo, já temos impactos no preço.”
Harumy destaca que o Irã “dimensiona o seu conflito para um conflito nacional e global”, utilizando sua posição geográfica estratégica como ferramenta de pressão internacional. A analista avalia que o conflito tem acelerado um processo já em curso: o declínio da hegemonia norte-americana. “Essa guerra tem acelerado o processo de queda hegemônica dos Estados Unidos e tem deixado explícito que essa potência militar, apesar da sua superioridade tecnológica, não é inabalável.
A gente já viu isso na guerra do Vietnã e agora estamos vendo na guerra do Irã, como um Estado-nação é capaz, a partir do nacionalismo e das suas estruturas próprias, de se defender.”
Outro ponto frágil, segundo Harumy, são os aliados dos Estados Unidos, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, que desejam o fim do conflito devido aos impactos físicos na segurança de seus países. A Europa também demonstra preocupação, e pode haver uma primeira ruptura no posicionamento entre a União Europeia e os Estados Unidos.
Além disso, a analista aponta uma contradição significativa: a guerra no Oriente Médio tem beneficiado indiretamente a Rússia, que voltou a vender petróleo aos Estados Unidos, flexibilizando sanções e permitindo que a Rússia continue sua guerra na Ucrânia.
A analista conclui que o cenário atual escancara a fragilidade das instituições globais, com a capacidade bélica e a posse de armas nucleares determinando o curso da política internacional. “No fim do dia, quem tem capacidade bélica, quem tem arma nuclear é que vai reger a política internacional nesse cenário de crise.
Então nós voltamos a um momento de um cenário anárquico, onde a ONU não consegue ter peso nessas tomadas de decisão.”
Autor(a):
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.