Irã alerta sobre “consequências perigosas” após a UE classificar a Guarda Revolucionária como terrorista. Tensão crescente entre Teerã e potências ocidentais!
Na quinta-feira (29), o Irã alertou sobre “consequências perigosas” após a União Europeia (UE) classificar formalmente a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) como uma organização terrorista. Essa decisão ocorre em um contexto de crescente tensão entre Teerã e as potências ocidentais.
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Os ministros das Relações Exteriores da UE, durante uma reunião em Bruxelas, justificaram a medida como uma resposta à violenta repressão do governo iraniano contra protestos antigovernamentais. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, afirmou que “a repressão não pode ficar sem resposta” e destacou que regimes que matam seus cidadãos estão se encaminhando para a autodestruição.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se manifestou, afirmando que “terrorista” é o termo adequado para um regime que reprime brutalmente seus cidadãos. Em resposta, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irã qualificou a decisão como “ilógica, irresponsável e maliciosa”, acusando os líderes europeus de seguirem as diretrizes dos Estados Unidos e de Israel.
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O comunicado ressaltou o papel da IRGC no combate a grupos extremistas, como o Estado Islâmico, e advertiu que as “consequências perigosas” da decisão recairão sobre os formuladores de políticas europeus. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, criticou os governos europeus por aumentarem as tensões e o risco de um conflito generalizado no Oriente Médio.
A Guarda Revolucionária Islâmica foi criada em 1979, após a Revolução Islâmica do Irã, e é uma força militar independente das Forças Armadas iranianas. Com um efetivo estimado entre 150 e 190 mil membros, a IRGC possui seu próprio exército, marinha e força aérea, além de uma unidade de elite chamada Força Quds, designada como organização terrorista pelos EUA em 2007.
Além disso, um braço da IRGC, que conta com cerca de 450 mil membros, desempenha um papel crucial na repressão a protestos. Em 2019, os Estados Unidos já haviam classificado a IRGC como “organização terrorista estrangeira”, citando sua responsabilidade em mortes de militares americanos no Iraque entre 2003 e 2011.
Recentemente, o Irã anunciou uma expansão significativa de suas capacidades militares, embora os detalhes sobre os novos drones não tenham sido esclarecidos. Além disso, as forças navais da IRGC realizarão exercícios no Estreito de Ormuz, uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural.
Analistas consideram que a designação da IRGC pela UE é mais simbólica do que prática, uma vez que as relações comerciais entre a Europa e o Irã já são limitadas. Trita Parsi, do Quincy Institute, afirmou que medidas semelhantes não alteraram o comportamento iraniano no passado.
A designação ocorre em um momento de crescente tensão regional, com alertas de Washington. O ex-presidente Donald Trump havia ameaçado atacar o Irã se o país não assinasse um acordo nuclear “justo”. O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, declarou que o país deve se preparar para um “estado de guerra”.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reiterou que o governo está preparado para agir caso a diplomacia falhe. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que as partes envolvidas busquem a diplomacia para evitar uma crise com consequências devastadoras para a região.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.