Irã: Embaixador do Brasil avalia cenário “hercúleo” após ataques! André Veras critica plano de derrubar governo islâmico e destaca resiliência do Irã.
O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, expressou sua avaliação sobre a situação no país, destacando a complexidade e os desafios envolvidos em qualquer tentativa de mudança no regime islâmico. Veras descreveu a tarefa de derrubar o governo iraniano como “hercúlea, sangrenta” e extremamente custosa, enfatizando que uma abordagem baseada apenas em ataques aéreos não seria eficaz.
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O embaixador ressaltou as dificuldades logísticas, como as dimensões do território iraniano e sua topografia montanhosa, bem como a capacidade ofensiva militar do próprio Irã. Ele argumentou que a situação é distinta daquela enfrentada pelos Estados Unidos em um passado recente, exigindo um esforço considerável para alcançar o objetivo desejado.
A entrevista, conduzida pelo jornalista José Luiz Datena, foi transmitida pela Rádio Nacional nesta segunda-feira (9).
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Após dez dias de ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã, que resultaram na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o embaixador Veras observou que a infraestrutura do país continua funcionando, com o comércio aberto, escolas em operação e mercados abastecidos.
No entanto, o racionamento de gasolina persiste, devido tanto aos ataques quanto à já existente limitação da capacidade de refino do Irã.
Um ponto crucial destacado pelo embaixador foi a rápida substituição de Khamenei, após a morte de seu pai e parte de sua família. A Assembleia dos Especialistas escolheu Seyyed no fim de fevereiro, demonstrando a solidez institucional do Irã e sua capacidade de adaptação.
Veras enfatizou que o sistema iraniano possui uma resiliência notável, com um processo automático de substituição de líderes em caso de falecimento ou desaparecimento.
O embaixador Veras também abordou as críticas internas ao regime iraniano, relacionadas ao aumento do custo de vida e à repressão política a opositores. Ele ponderou que a escolha de Seyyed, filho de Khamenei, pode ser interpretada como uma dura resposta do Estado, tanto contra a insatisfação interna quanto contra o regime contrário do país.
Veras observou que, enquanto o pai de Seyyed era visto como um “coadjuvante nas sombras”, o novo líder possui uma forte ligação com a Guarda Revolucionária e setores conservadores dos clérigos. Ele acredita que, em meio ao clima de contestação ao sistema islâmico, a escolha de Seyyed representa uma resposta do Estado.
O embaixador ressaltou que, apesar da resistência dos iranianos aos ataques estadunidenses e israelenses, uma solução diplomática negociada ainda é possível.
O embaixador Veras informou que, até o momento, não há necessidade de uma operação de resgate para brasileiros e suas famílias no Irã, devido à abertura das fronteiras e à pequena população de brasileiros no país (cerca de 200 pessoas). Ele relatou que a embaixada vem acompanhando casos pontuais, com a principal demanda sendo a obtenção de documentação e vistos.
Veras enfatizou que a situação é “de vida ou morte” para a continuidade do regime iraniano, tornando a rendição improvável, mas acredita que a racionalidade deve prevalecer no processo.
O embaixador concluiu que os custos da guerra são altos para todos os lados e que há espaço para uma solução diplomática, que dependa do fim das sanções econômicas impostas pelos EUA e da busca por uma paz global que beneficie a economia global.
Ele ressaltou que, mesmo que o controle do fornecimento de petróleo possa favorecer alguns países, a guerra representa um prejuízo para todos.
A avaliação do embaixador André Veras sobre a complexidade do cenário no Irã, marcada por desafios logísticos, resiliência institucional e tensões políticas, aponta para a necessidade de uma abordagem cautelosa e, idealmente, diplomática. A busca por uma solução negociada, que leve em conta os interesses de todas as partes envolvidas, emerge como a via mais promissora para evitar um conflito prolongado e custoso.
Autor(a):
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.