Irã: Crise e Tensão! EUA e Curdos no centro de conflito regional. Analistas alertam para estratégia de desestabilização e ameaças à segurança. Saiba mais!
A situação no Irã tem sido marcada por uma crescente instabilidade, com o governo de Donald Trump sendo apontado como um dos principais responsáveis por alimentar o conflito. Analistas do Brasil de Fato e do Observatório da Política Externa Brasileira (Opeb) apontam que a estratégia americana visa não apenas derrubar o regime de Teerã, mas também criar divisões internas no país, enfraquecendo-o e abrindo caminho para a influência de outros atores regionais.
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Os curdos, representando cerca de 10% da população iraniana de 90 milhões de pessoas, habitam a região fronteiriça montanhosa com o Iraque. Etnicamente sunitas, historicamente têm lutado por autonomia, mas enfrentam um histórico de manipulação e abandono por parte dos Estados Unidos e do Ocidente. O analista Mohammed Nadir destaca que, embora os curdos não possam enfrentar diretamente o exército iraniano, sua capacidade de gerar dificuldades e criar uma zona tampão, potencialmente servindo de porta de entrada para os EUA e Israel, é um fator crucial na equação.
Segundo o Opeb, as promessas de autonomia feitas pelos países ocidentais têm seduzido os curdos, que são frequentemente infiltrados por serviços de inteligência ocidentais. Esses serviços incutem a ideia de separação, com o objetivo de desestabilizar o Oriente Médio. Essa dinâmica se repete ao longo da história das relações entre os EUA e os curdos, marcada por repetidas traições e abandono, como evidenciado por sete ou oito casos importantes ao longo do século XX.
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Desde os ataques de Estados Unidos e Israel ao líder supremo da República Islâmica, os curdos iranianos têm lançado projéteis contra grupos armados, buscando refúgio em áreas próximas à fronteira com o Iraque. Analistas sugerem que os combatentes curdos podem desempenhar um papel de apoio, semelhante ao da Aliança do Norte no Afeganistão, permitindo a operação de forças especiais americanas. O objetivo, segundo o analista Stefano Ritondale, é criar uma oposição armada que questione o poder estabelecido e incentive a manifestação popular.
O professor Rodrigo Amaral, da PUC SP, avalia que as chances de criação de um Curdistão reconhecido pela ONU são pequenas, devido à falta de um projeto hegemônico e homogêneo curdo. Ele critica uma visão “racista” do Ocidente sobre a questão, ressaltando que as sociedades curdas se moldaram e se adaptaram aos seus contextos, estabelecendo suas próprias lutas. Apesar disso, Nadir acredita que, caso o regime de Teerã caia, o Curdistão do Irã pode ganhar uma autonomia semelhante à do Curdistão do Iraque, em um formato federal.
O futuro de um Curdistão iraniano ainda é incerto, dependendo do desenrolar da guerra e da capacidade do Irã de resistir aos ataques dos EUA e Israel. A situação permanece volátil, com Trump mantendo a “carta branca” para continuar a intervenção, potencialmente custeada pelos países do Golfo, como tem ocorrido historicamente.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.