Irã desembarca em Tijuana para a Copa do Mundo de 2026 em meio a tensões políticas

Irã chega a Tijuana para preparação da Copa do Mundo de 2026
Na madrugada deste domingo (7), a seleção do Irã desembarcou em Tijuana, no México, para iniciar sua preparação para a Copa do Mundo de 2026. A equipe chegou após um voo da Turquia, onde passou três semanas treinando. A delegação ficará hospedada na cidade mexicana, que faz fronteira com os Estados Unidos.
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Este momento ocorre em meio a um cenário de intensa tensão política.
Este Mundial será histórico, pois é a primeira vez, desde a criação do torneio em 1930, que um país-sede recebe uma seleção de uma nação com a qual está em conflito. O ônibus da delegação foi escoltado por policiais e militares ao deixar o aeroporto de Tijuana.
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Antes de seguir para o hotel, os dirigentes fizeram uma parada rápida para cumprimentar cerca de 20 torcedores que aguardavam com bandeiras iranianas.
Alterações nos planos de hospedagem
Inicialmente, o Irã tinha a intenção de se instalar no estado do Arizona, nos Estados Unidos. Contudo, a federação iraniana decidiu mudar de planos devido às incertezas sobre a concessão de vistos e à necessidade de minimizar o tempo da equipe em território norte-americano.
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A seleção iraniana fará sua estreia no Grupo G contra a Nova Zelândia, no dia 15 de junho, na região de Los Angeles. Em seguida, enfrentará a Bélgica em 21 de junho e encerrará a fase de grupos contra o Egito em 26 de junho, em Seattle.
Se avançar em segundo lugar na chave, o Irã poderá se deparar com os Estados Unidos na fase de mata-mata.
Pressão política sobre os jogadores
O contexto em torno da seleção vai além do futebol. O Irã enfrenta uma crise interna desde os protestos que se intensificaram no final do ano passado, resultando em uma repressão que deixou mais de 2 mil mortos, conforme relatos. Além disso, os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro desencadearam uma guerra que ainda está em curso.
Especialistas apontam que os atletas estão em uma situação delicada, lidando com a pressão de representar o país em um momento de conflito, enquanto também enfrentam cobranças relacionadas à situação política interna.
Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, os jogadores iranianos chamaram a atenção ao não cantarem o hino nacional antes de uma partida, um gesto visto por muitos como uma demonstração de solidariedade aos manifestantes que protestavam contra o governo.
Dificuldades com vistos
A participação do Irã na Copa do Mundo também foi marcada por incertezas nos últimos meses. Após semanas de negociações, os vistos foram concedidos apenas na sexta-feira, dez dias antes da estreia da equipe. No entanto, membros da federação afirmam que parte da delegação ainda não recebeu autorização para entrar no país.
De acordo com o embaixador iraniano no México, 15 dos 70 integrantes do grupo que chegou a Tijuana ainda estão sem visto, incluindo dirigentes e membros da equipe administrativa.
O Irã acusou os Estados Unidos de não cumprirem suas obrigações como país-sede e de violarem regulamentos da FIFA. Por outro lado, o Departamento de Estado norte-americano afirmou que todos os vistos necessários para a participação da seleção foram concedidos, incluindo aqueles para atletas e pessoal de apoio essencial.
As autoridades mexicanas consideraram a decisão de receber a delegação iraniana em Tijuana como um gesto de cooperação diante das dificuldades enfrentadas pela equipe às vésperas do Mundial.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



