Irã convoca embaixadores do Reino Unido, Alemanha, Itália e França para mostrar imagens de protestos violentos. Entenda a crise que desafia o regime!
Nesta segunda-feira (12), o Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou os embaixadores do Reino Unido, Alemanha, Itália e França. O objetivo foi apresentar imagens que, segundo o governo iraniano, mostram atos violentos cometidos por manifestantes durante os protestos recentes.
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De acordo com a emissora estatal IRIB (Islamic Republic of Iran Broadcasting), a convocação ocorreu após os governos desses países expressarem apoio público aos protestos. Durante a reunião, autoridades iranianas mostraram imagens das manifestações, alegando que as ações ultrapassaram os limites do protesto pacífico e configuraram sabotagem organizada.
Os protestos no Irã, que começaram no final de dezembro, representam um dos maiores desafios ao regime em anos. Inicialmente, as manifestações surgiram em resposta à inflação descontrolada, mas rapidamente se transformaram em um movimento mais amplo contra o governo.
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A situação econômica se agravou na semana passada, quando os preços de produtos essenciais, como óleo de cozinha e frango, dispararam, levando a uma escassez desses itens nas prateleiras. A decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a importadores acessar dólares a preços mais baixos também contribuiu para o aumento dos preços, resultando em protestos.
A decisão dos bazaaris, comerciantes tradicionais do Irã, de protestar é significativa, pois esse grupo geralmente é alinhado ao regime. O governo, sob liderança reformista, tentou aliviar a pressão econômica oferecendo transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas isso não foi suficiente para conter a insatisfação popular.
As manifestações culminaram na maior noite de protestos até o momento, isolando ainda mais o Irã do resto do mundo. Organizações de direitos humanos relatam que centenas de pessoas perderam a vida desde o início dos protestos. Em meio a isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso as forças de segurança reagissem com violência.
O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, respondeu pedindo a Trump que se concentrasse em seu próprio país e acusou os EUA de incitar os protestos.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.