Em Brasília, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Ghadirli, fez um pronunciamento nesta terça-feira, 31 de março de 2026, reafirmando que o Estreito de Ormuz permanece acessível apenas a “nações amigas”. A declaração, proferida durante uma entrevista a jornalistas na embaixada iraniana, veio acompanhada de uma defesa do acesso irrestrito que o estreito teve por um longo período.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ghadirli enfatizou o papel da população iraniana, destacando o espírito pacífico do país como fator determinante para a livre utilização do canal.
O embaixador atribuiu a necessidade de uma nova gestão administrativa do estreito aos recentes atos de agressão contra o Irã, perpetrados pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro de 2026. “O estreito está sob nossa gestão estratégica”, declarou Ghadirli, ressaltando que a situação exige uma adaptação diante das circunstâncias.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ele enfatizou que, apesar disso, o estreito permanecerá aberto para nações amigas, em contraste com as dificuldades enfrentadas por outros países do Golfo Pérsico, que considerou “frágeis”.
Ghadirli também abordou a questão da importação de fertilizantes, assegurando que o agronegócio brasileiro não enfrentará dificuldades para adquirir ureia iraniana. Ele mencionou a disponibilidade “significativa” de ureia no Irã e afirmou que metade da ureia utilizada no Brasil é produzida no país.
O embaixador incentivou os empresários brasileiros a manterem negociações diretas com liners iranianos, com pagamentos e transações bancárias diretas, buscando fortalecer a economia nacional.
Em um momento da entrevista, Ghadirli expressou a preparação do Irã para resistir a uma possível invasão dos EUA, mencionando a expectativa da população por um recorde de mortes de soldados norte-americanos, em referência aos conflitos do Vietnã.
Ele argumentou que os EUA e Israel se encontram em uma posição mais vulnerável do que antes dos ataques de 28 de fevereiro, e que a prioridade atual é a abertura do Estreito de Ormuz, que já estava acessível antes da escalada da crise.
O embaixador reiterou a importância estratégica do Estreito de Ormuz para o Irã, enfatizando que ele permanece aberto para nações amigas, apesar das tensões regionais. A declaração reflete a determinação do Irã em manter o controle sobre um ponto crucial no comércio marítimo e em fortalecer sua economia nacional, buscando soluções diretas para os desafios impostos pela comunidade internacional.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.
