IPCA Desacelera em Abril: Inflação de Núcleo Aumenta e Desafia BC

IPCA desacelera em abril, mas alerta inflacionário sobe! 🚨 Núcleo acelera e Banco Central sob pressão. Saiba mais!

IPCA Desacelera em Abril, Mas Inflação de Núcleo Acelera

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma desaceleração em abril de 2026, atingindo 0,67%, em comparação com os 0,88% de março. A divulgação, feita nesta terça-feira (12 de maio) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trouxe um cenário complexo.

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Apesar da perda de força no índice geral, a composição da inflação apresentou um quadro preocupante.

O economista sênior do Banco Inter, André Valério, destacou que “a média dos núcleos acelerou de 0,43% para 0,5%, mantendo a trajetória ascendente e indicando o fim dos ganhos na desinflação do núcleo”. Essa informação sugere que a pressão inflacionária, especialmente nos setores mais básicos, continua a ser um fator relevante para a política monetária do Banco Central.

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Riscos e Projeções

Valério apontou riscos como a continuidade do conflito no Oriente Médio e a possibilidade do fenômeno climático El Niño, que pode causar secas severas e impactar os preços de alimentos e energia. O Banco Inter projeta que o IPCA encerre 2026 com uma alta acumulada de 4,90%, ainda que o banco veja espaço para a continuidade do ciclo de cortes de juros.

A instituição espera uma redução de 0,25 p.p. (ponto percentual) na próxima decisão sobre juros, em 17 e 18 de junho. Essa expectativa reflete a busca por um equilíbrio entre o controle da inflação e o estímulo à economia, considerando a incerteza global.

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Combustíveis e Pressões Inflacionárias

Os combustíveis continuaram a pressionar a inflação, sendo a segunda vez que o IPCA é divulgado desde o início de fevereiro (28 de fevereiro). A gasolina subiu 1,86%, abaixo dos 4,59% de março, mas ainda teve o principal impacto no índice do mês, com contribuição de 0,10 p.p. Essa variação reflete a queda recente do petróleo no mercado internacional, causada por fatores como a demanda global.

O óleo diesel subiu 4,46% e o etanol avançou 0,62%, enquanto o gás veicular recuou 1,24%. O grupo de combustíveis avançou 1,8% no mês, demonstrando a sensibilidade do índice à dinâmica do mercado energético.

Inflação em Bens Industriais e Setores de Serviços

O economista do Inter também expressou preocupação com a inflação de bens industriais, que acelerou de 0,31% para 0,62% em abril. “Esse grupo vinha sendo uma fonte importante de desinflação em 2025, mas está sendo particularmente afetado pelo choque do petróleo e pode deixar de ser uma força deflacionária no restante do ano”, afirmou Valério.

Os grupos de Alimentação e Bebidas e Saúde e Cuidados Pessoais responderam por cerca de 2/3 da inflação do mês. Os alimentos desaceleraram em relação a março, mas ainda avançaram 1,34%, enquanto Saúde subiu 1,16%. A alimentação no domicílio avançou 1,64%, mantendo a pressão observada antes mesmo do agravamento do conflito no Irã.

Já o grupo de Saúde refletiu o reajuste de medicamentos autorizado a partir de 1º de abril, que levou os produtos farmacêuticos a subirem 1,77%.