IPCA-15 projeta inflação de 0,41% a 0,55% em junho, com alta em alimentação e habitação
A inflação projetada para junho reflete pressões em alimentação e habitação, mesmo com uma leve desaceleração em relação ao mês anterior
O IPCA-15, que é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, apresentará uma desaceleração na inflação em junho, conforme dados que serão divulgados nesta quinta-feira, 25. Especialistas ouvidos pelo CNN Money projetam que a alta deve ficar entre 0,41% e 0,55%, em comparação ao avanço de 0,62% do mês anterior.
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Entre os principais responsáveis por essa elevação estão os preços de alimentação no domicílio e habitação, com aumentos esperados de 1,35% e 0,91%, respectivamente.
Expectativas sobre a Alimentação e Habitação
André Braz, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), aponta que o grupo de alimentação no domicílio continuará a pressionar o índice mesmo com uma leve desaceleração em relação ao mês passado. O aumento projetado para esse setor se deve a fatores como a sazonalidade e as condições climáticas que afetam a produção agrícola.
Além disso, a habitação também contribui para manter a inflação elevada, ainda que numa tendência de desaceleração.
Apesar das expectativas de alta moderada, os especialistas alertam que a recente queda nos preços do petróleo não terá um impacto imediato na inflação brasileira. O petróleo WTI (West Texas Intermediate) para agosto fechou com uma redução de 3,92%, cotado a US70,34 o barril.
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Já o petróleo Brent para setembro teve uma queda de 3,81%, encerrando a sessão a US 73,87 o barril. Essas oscilações nos preços internacionais ainda não refletem diretamente nos custos internos.
Impacto dos Combustíveis na Inflação
Os combustíveis desempenham um papel crucial nas projeções do IPCA-15 deste mês. A expectativa é de que o etanol registre uma queda significativa de -5,91%, enquanto a gasolina deve permanecer estável ou apresentar uma leve redução. Isso indica que o grupo de transportes pode não ter um impacto tão negativo quanto no mês anterior.
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Contudo, os efeitos das altas anteriores ainda estarão presentes nas análises desta edição do IPCA-15.
Adriano Birle, economista responsável pelas análises da GEP Brasil, ressalta que junho ainda sentirá os efeitos do aumento do petróleo e da guerra que afeta os mercados globais. Embora o preço do diesel tenha estabilizado, ele permanece elevado em comparação aos valores registrados em fevereiro.
Essa situação pode ter repercussões mais prolongadas sobre os custos de frete e, consequentemente, sobre os preços dos alimentos e bens de consumo.
Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, complementa dizendo que qualquer alívio nos preços dos combustíveis resultante da queda do Brent só será sentido mais adiante. Ele destaca que intervenções governamentais no passado podem ter evitado aumentos maiores quando os preços subiram; portanto, não se deve esperar grandes quedas agora que os preços internacionais estão diminuindo.
Dessa forma, o cenário inflacionário para junho reflete uma combinação complexa de fatores internos e externos que continuarão influenciando o poder de compra dos consumidores brasileiros nos próximos meses.