Investimentos Estrangeiros na Bolsa Brasileira em Fevereiro de 2026
No mês de fevereiro de 2026, os investidores estrangeiros movimentaram R$ 401,6 bilhões em compras e R$ 385,5 bilhões em vendas na bolsa brasileira. Isso resultou em uma entrada líquida de R$ 16,09 bilhões no mercado nacional, conforme levantamento da consultoria Elos Ayta.
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Com o resultado positivo de R$ 26,47 bilhões registrado em janeiro, o total de recursos estrangeiros injetados no mercado financeiro brasileiro chega a R$ 42,56 bilhões até agora.
Esse montante é ligeiramente superior ao valor de mercado da Raia Drogasil, que atualmente gira em torno de R$ 41,8 bilhões. O CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, destaca três razões que tornam esse número impressionante: o valor é 1,58 vez maior que o fluxo de 2025, que terminou com uma entrada líquida de R$ 26,87 bilhões; fevereiro de 2026 está próximo de patamares considerados fortes para a bolsa; e o movimento indica uma mudança na intensidade do capital internacional.
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Perspectivas e Impactos no Mercado
Rivero também menciona que, ao colocar os números em perspectiva, fevereiro de 2026 se destaca como o oitavo melhor mês desde fevereiro de 2022, considerando IPOs e follow-ons. Ele ressalta que “o impacto foi direto na pontuação do Ibovespa”, que renovou seus índices recentemente.
Mesmo excluindo operações estruturadas, “o fluxo é essencialmente de mercado secundário, com compra líquida de ações já listadas”, acrescenta Rivero.
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Após um 2024 desafiador para o mercado, o analista observa que “o dado mais relevante é a velocidade da reversão: após um ano negativo, a aceleração em 2026 é significativa”. Esse padrão sugere não apenas um ajuste tático, mas uma possível reprecificação estrutural do risco Brasil.
Motivos para o Investimento Estrangeiro
Einar Rivero apresenta quatro “hipóteses consistentes” que explicam por que investidores estrangeiros estão direcionando recursos ao Brasil. A primeira é a teoria do diferencial de juros, que sugere que países com taxas de juros mais altas atraem capital de nações com juros mais baixos.
Quando o risco cambial é controlado, o fluxo tende a aumentar.
A segunda hipótese é a teoria da reprecificação relativa, que indica que, após períodos de baixa performance, mercados emergentes podem se tornar mais atraentes em comparação aos desenvolvidos, levando a um direcionamento de capital para onde o risco-retorno é mais favorável.
A terceira é o efeito portfólio global, onde gestores buscam diversificação e, quando o Brasil apresenta preços baixos e liquidez, ele se torna parte da alocação estratégica.
Por fim, a quarta hipótese envolve ciclos de liquidez global. Rivero observa que “quando o dólar perde força ou as condições financeiras globais se afrouxam, parte do capital migra para ativos de maior beta, como ações brasileiras”. Ele conclui que o comportamento atual parece combinar os quatro vetores: prêmio real elevado, múltiplos comprimidos nos anos anteriores, melhora na percepção relativa e maior apetite ao risco.
