Investidores estrangeiros retiram quase R$ 10 bilhões da bolsa brasileira em maio

Investidores internacionais retiram quase R$ 10 bilhões da bolsa brasileira em maio, refletindo um cenário volátil e influências externas e internas

Retirada de Investimentos Estrangeiros na Bolsa Brasileira

No mês de maio, investidores internacionais retiraram quase R$ 10 bilhões da bolsa de valores do Brasil, conforme dados coletados até o dia 15. Esse movimento contrasta significativamente com o início do ano, quando R$ 26 bilhões foram injetados no mercado brasileiro apenas em janeiro de 2026.

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Fernando Nakagawa, analista de Economia da CNN, comentou sobre a situação no programa CNN 360°. Ele destacou que o comportamento dos investidores estrangeiros está intimamente ligado ao noticiário internacional, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio. “O estrangeiro está num momento muito volátil, muito a reboque do noticiário internacional, especialmente aquele relacionado à guerra”, afirmou Nakagawa.

Fatores Internos e Externos Influenciam Decisões

Além do cenário externo, fatores internos também impactaram as decisões dos investidores. No início de maio, ficou claro que a inflação brasileira está acima das expectativas do mercado, o que pode desacelerar o ritmo de cortes na taxa de juros no país. “Se o juro cai menos, é ruim para a bolsa de valores”, explicou Nakagawa.

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A expectativa de juros mais altos por um período prolongado desestimula os investimentos. O cenário político também trouxe pressão adicional. Nakagawa observou que o mercado financeiro já demonstrava cautela em relação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, devido à falta de clareza sobre suas propostas econômicas.

A situação se complicou após a divulgação de uma gravação envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

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Possibilidade de Troca de Governo e Reações do Mercado

Com o enfraquecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro, a expectativa de uma troca de governo em outubro diminuiu na avaliação de parte do mercado financeiro, que esperava que um novo governo adotasse uma postura mais fiscalista e promovesse ajustes nas contas públicas.

Apesar do cenário desafiador, os mercados mostraram sinais de recuperação no mesmo dia da análise. As bolsas em Nova York subiram mais de 1%, enquanto a bolsa em São Paulo avançou mais de 2%, com o dólar recuando para cerca de R$ 4,99. Esse movimento foi impulsionado por indícios de que a guerra no Oriente Médio poderia estar perdendo intensidade.

Segundo Nakagawa, 26 embarcações petroleiras passaram pelo estreito naquele dia, incluindo três grandes petroleiros, o que gerou a percepção no mercado de que o Irã estaria sinalizando abertura para embarcações não americanas. “Isso fará com que a oferta de petróleo aumente”, concluiu Nakagawa, explicando a queda de mais de 5% no preço do petróleo registrada no período.