Aumento de Casos de Intolerância Religiosa no Rio Grande do Sul
Nos últimos anos, tem havido um aumento contínuo no número de registros de intolerância religiosa no Rio Grande do Sul. Dados da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância revelam um crescimento significativo, passando de 2 casos em 2020 para 169 em 2025, até novembro.
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Em Porto Alegre, foram registrados 198 ocorrências no período, representando cerca de um terço dos registros totais do estado.
Religiões de Matriz Africana e a Concentração de Casos
Segundo o Censo de 2022, o Rio Grande do Sul abriga mais de 300 mil pessoas autodeclaradas de religiões de matriz africana, correspondendo a 3,2% da população. Essa é a maior proporção do país. Esse grupo religioso é, de longe, o principal alvo de intolerância religiosa no estado.
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O Papel da Delegacia Especializada
Em 2026, a Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância foi criada em resposta à demanda das comunidades religiosas afro. O delegado Vinícius Nahan destaca que o fenômeno está diretamente ligado ao racismo religioso, enfatizando que a discriminação contra essas religiões está intrinsecamente ligada ao racismo estrutural no país.
A delegacia oferece atendimento humanizado e garante a investigação dos casos, atuando como um órgão especializado no combate à discriminação.
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Aumento de Denúncias e Crescimento dos Adeptos
Entre janeiro de 2025 e 2026, foram registradas 2.774 denúncias de intolerância religiosa, evidenciando a persistência do racismo religioso, especialmente contra o candomblé e a umbanda. O número de adeptos dessas religiões praticamente triplicou no Brasil, e esse crescimento é ainda mais acentuado no Rio Grande do Sul, onde cerca de 3% da população se identifica com essas tradições, totalizando aproximadamente 350 mil pessoas.
Subnotificação e o Perfil das Vítimas
Apesar do aumento nos registros, o delegado Nahan alerta para a subnotificação desses casos, ressaltando que muitas manifestações de intolerância religiosa não chegam à polícia. A maioria dos episódios de discriminação são naturalizados no dia a dia e raramente são registrados.
Dados indicam que cerca de 70% das vítimas são mulheres, e metade delas são negras, evidenciando uma interseccionalidade entre raça, gênero e religião que exige atenção especial na formulação de políticas públicas. O trabalho da delegacia é fundamental para dar visibilidade a essa realidade e promover o combate à discriminação religiosa.
