Inflação no Japão atinge menor nível em dois anos
Em janeiro, o núcleo da inflação anual ao consumidor no Japão registrou o menor índice em dois anos, alcançando a meta de 2% estabelecida pelo banco central. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (20), indicam um possível enfraquecimento na pressão sobre os preços, o que pode complicar as decisões futuras do Banco do Japão.
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Outro índice, considerado um indicador mais preciso da inflação subjacente, também apresentou desaceleração, embora ainda esteja acima da meta do Banco do Japão. Isso sugere que os robustos aumentos salariais podem manter o banco central na trajetória de elevação dos custos de empréstimos, que continuam baixos.
Sinais contraditórios na economia japonesa
Esses dados se somam a recentes sinais mistos da economia, que, apesar de observar um aumento nas exportações e uma melhora na confiança dos fabricantes neste ano, enfrenta desafios. Abhijit Surya, economista sênior da Capital Economics para a região Ásia-Pacífico, comentou que, com a diminuição das pressões sobre os preços, o Banco do Japão não terá pressa em reiniciar seu ciclo de aumento de juros.
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Surya acredita que as condições podem se alinhar para que o Banco do Japão eleve os juros até meados do ano. O aumento anual do núcleo do índice de preços ao consumidor, que exclui os custos voláteis de alimentos frescos, ficou em linha com as expectativas do mercado, desacelerando de 2,4% em dezembro.
Fatores que influenciam a inflação
A queda na inflação deve-se, em grande parte, aos subsídios aos combustíveis e ao efeito de base do aumento dos preços dos alimentos no ano anterior. O Banco do Japão destacou que esses fatores pontuais podem levar o núcleo da inflação a ficar temporariamente abaixo da meta, mas enfatizou a importância de avaliar se o Japão conseguirá manter aumentos de preços sustentáveis e impulsionados pelos salários em torno de 2% ao considerar novos aumentos nas taxas de juros.
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Um índice que exclui os preços de alimentos frescos e combustíveis, monitorado de perto pelo banco central como um indicador da inflação impulsionada pela demanda, permaneceu acima da meta, com um aumento de 2,6% em janeiro na comparação anual, embora tenha sido inferior à alta de 2,9% em dezembro.
A inflação geral, por sua vez, desacelerou de 2,1% em dezembro para 1,5% em janeiro, ficando abaixo da meta de 2% do Banco do Japão pela primeira vez em quase quatro anos, o que aumenta os desafios de comunicação para o plano de aumento de juros do banco central.
