Indústria automotiva brasileira se transforma com eletrificação e desafios; o que vem por aí?
A indústria automotiva brasileira enfrenta grandes mudanças com a eletrificação. Quais são os desafios e as estratégias para o futuro? Descubra na matéria
A Transformação da Indústria Automotiva Brasileira
A indústria automotiva no Brasil está passando por uma transformação significativa, a mais profunda desde a abertura das importações na década de 1990. Sob pressão das metas globais de descarbonização, o mercado nacional está traçando um caminho próprio para a transição energética, que combina eletrificação e biocombustíveis.
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Um dos principais desafios enfrentados pelas montadoras tradicionais é desmistificar e viabilizar a produção de veículos elétricos, buscando reduzir custos e nacionalizar a tecnologia.
Ciro Possobom, Presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, explica como a indústria está aprendendo e como as novas plataformas, desenvolvidas no mercado asiático, devem influenciar o futuro dos modelos já consolidados no país.
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Brasil e o Mercado Global
Enquanto a Europa e a China avançam rapidamente em direção à eletrificação total, o Brasil adota uma abordagem mais conservadora em relação à redução de poluentes. A falta de uma infraestrutura robusta de recarga nas estradas e a força histórica do agronegócio tornam o etanol um aliado estratégico.
Os objetivos da indústria nacional para o curto e médio prazo estão focados na hibridização, que combina motores flex com baterias, deixando a eletrificação total para nichos específicos e frotas urbanas.
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Para que essa estratégia ganhe força, é necessário que o tempo e o custo de desenvolvimento diminuam significativamente. Essa mudança já está em andamento nas matrizes globais.
A Virada de Chave
A primeira incursão das montadoras tradicionais no mercado de veículos elétricos foi marcada por altos investimentos e margens de lucro reduzidas. Segundo Possobom, essa fase de aprendizado foi desafiadora, mas preparou o terreno para uma segunda geração de veículos muito mais competitiva. “A primeira geração de elétricos da Volkswagen (ID.3, ID.4, ID.5, ID.6) enfrentou dificuldades maiores em termos de desenvolvimento e custo.
No entanto, no ano passado, nos tornamos o 3.º maior mercado mundial de elétricos. A transformação entre a primeira e a segunda geração, com o ID.7, ID.8 e ID.9, é impressionante e com custos muito diferentes”, recorda o CEO.
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Com o conhecimento adquirido, plantas de produção especializadas já estabelecidas e bases de arquiteturas elétricas consolidadas, essa nova onda de veículos elétricos apresenta um potencial de desenvolvimento mais ágil, maior margem de lucro e menos obstáculos.
O Futuro dos Modelos no Brasil
As filiais brasileiras das grandes montadoras globais necessitam de um ponto de partida para implementar o modelo elétrico no país. As plataformas elétricas europeias foram projetadas para um mercado com maior poder aquisitivo e melhores condições das rodovias, o que não se aplica ao Brasil.
Em contrapartida, soluções elétricas de baixo custo e alta escala foram desenvolvidas, alinhando-se melhor à realidade da América Latina.
Possobom destaca que o avanço do portfólio será gradual e baseado em aprendizado contínuo: “A Volkswagen planeja lançar dezenas de carros nos próximos dois anos. A indústria não dá saltos abruptos; ela aprende. Esta segunda geração já é muito mais adaptada ao Brasil.
Estou considerando como evoluir o T-Cross e o Nivus. Vou usar uma plataforma elétrica da Europa? Talvez não. Talvez eu utilize uma plataforma VW da China e a adapte à realidade brasileira.”
Expectativas para o Futuro Próximo
O cenário automotivo brasileiro para os próximos anos pode ser resumido em três pilares principais: Híbridos Flex, que utilizam gasolina e etanol, muitas vezes com o motor a combustão funcionando como gerador para o sistema elétrico, reduzindo custos e emissões; Etanol puro, que, mesmo sem eletrificação, contribui para a neutralidade de carbono da indústria e ainda possui benefícios fiscais, apoiando o agronegócio; e Plataformas modulares, que introduzem carros elétricos de entrada com arquiteturas projetadas na China, reduzindo preços, trazendo inovação e facilitando a manutenção local.
A indústria não fará uma transição abrupta para veículos elétricos puros, mas utilizará o intervalo do etanol e da hibridização para preparar suas fábricas, fornecedores e concessionárias.