Indígenas invadem aeroporto em protesto! 💥 Bloqueio em Altamira, Pará, contra mineração da Belo Sun. Crise no Xingu! #Indigenas #BeloSun #Amazonia
Na manhã de segunda-feira, 16 de maio de 2026, um grupo de indígenas realizou um bloqueio na via de acesso ao Aeroporto Interestadual em Altamira, no Pará. Essa ação se insere em uma mobilização organizada por representantes da Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que desde 23 de fevereiro de 2026 ocupa o prédio da Funai em Altamira, buscando uma resposta para suas demandas.
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Os indígenas exigem a suspensão imediata das atividades da mineradora canadense Belo Sun na região da Volta Grande do Xingu, além de pressionarem os órgãos de atendimento à população indígena a se manifestarem contra o projeto de exploração de ouro da empresa.
Sol Juruna, moradora da terra indígena Paquiçamba, no município de Vitória do Xingu, explica que a ocupação da Funai é uma tentativa de obter uma resposta para suas preocupações.
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Sol Juruna e outros representantes da Funai, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e do Ministério Público Federal (MPF) esperam por uma posição dos órgãos. A situação ocorre no Médio Xingu, onde diversas comunidades indígenas enfrentam os potenciais impactos da mineração.
Em fevereiro de 2026, o MPF apresentou um recurso contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que havia liberado a licença de instalação do projeto de mineração da Belo Sun. O órgão argumenta que a liberação se baseou em premissas equivocadas, considerando que a empresa não cumpriu integralmente as condicionantes judiciais relacionadas à proteção das comunidades impactadas.
Segundo o MPF, os estudos de impacto ambiental do projeto são incompletos e não garantem a minimização dos riscos socioambientais.
O projeto Volta Grande de Ouro será instalado no município de Senador José Porfírio, na região de Altamira. A instalação da mina de ouro a céu aberto, que pretende ser a maior do Brasil, ocorre em uma área já afetada pela hidrelétrica de Belo Monte, cuja construção alterou o fluxo do rio Xingu.
O MPF alerta para a fragilidade da proposta, especialmente considerando o impacto cumulativo da mineração e a redução da disponibilidade de água no rio.
A instalação de uma barragem de rejeitos, próxima ao rio, é uma das principais preocupações dos indígenas. Sol Juruna e outras lideranças da mobilização temem que, em caso de falha, a situação possa levar à perda total de suas terras. A situação é agravada pela seca causada pelo desvio de águas para a hidrelétrica de Belo Monte, que já causa impactos significativos na região.
Pyja Xipaya, integrante do Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu, ressalta os riscos de contaminação do rio, do solo e da perda de recursos como peixes e a possibilidade de novas invasões nas terras indígenas. A mobilização conta com a participação de indígenas das etnias Juruna, Xikrin, Xipaya e Arara da Cachoeira-seca, com as mulheres liderando o movimento.
As indígenas informam que permanecerão mobilizadas até obterem respostas do MPI e da Funai, que continuam ocupados.
O Brasil de Fato entrou em contato com a Belo Sun e os órgãos citados, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A empresa se comprometeu a fornecer informações adicionais caso haja manifestação.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.