Índice da Corrupção causa polêmica! Análise da Transparência Internacional (TI) é questionada e expõe viés ideológico. Descubra os riscos do IPC em 2026.
A divisão internacional do trabalho, como observou Eduardo Galeano em “As Veias Abertas da América Latina”, apresenta uma dinâmica preocupante: alguns países se especializam na produção e exportação de bens, enquanto outros se dedicam à importação e, consequentemente, à perda.
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Essa realidade, amplificada em 2026, se reflete em análises como o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado anualmente pela Transparência Internacional (TI).
O relatório da TI, publicado em fevereiro de 2026, oferece uma avaliação qualitativa do combate à corrupção em diversos países, mas carrega consigo uma forte carga ideológica. Essa organização, com sede em Berlim e escritórios em mais de 100 países, tende a privilegiar os países do Hemisfério Norte, historicamente associados a estruturas de poder e influência, enquanto desconsidera, de forma injusta, as complexas realidades dos países do Sul Global, frequentemente vítimas de exploração colonial desde o século XVI.
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A suspeita de viés na metodologia do IPC se intensifica ao considerar a estrutura de financiamento da TI. A organização é sustentada por uma combinação de governos ocidentais, fundações privadas, corporações multinacionais e bilionários, o que levanta questões sobre a influência de interesses específicos em suas análises.
Essa dinâmica contribui para a percepção de que o IPC não é um instrumento neutro e imparcial, mas sim uma ferramenta utilizada para reforçar determinadas narrativas e legitimar posições de poder.
O impacto do IPC vai além da simples avaliação da corrupção. Ao classificar países como os mais corruptos do mundo, o índice contribui para a internalização de uma identidade negativa, onde a corrupção se torna uma “essência” da população e um destino inevitável.
Essa percepção desmobiliza a luta por transparência e justiça, perpetuando um ciclo vicioso de desconfiança e impotência.
A TI, apesar de reconhecer a existência de paraísos fiscais – jurisdições offshore que facilitam a lavagem de dinheiro e a elisão fiscal – frequentemente ignora a escala e o impacto dessas estruturas no cenário global da corrupção. Esses paraísos, concentrados no Hemisfério Norte, oferecem aos corruptos um refúgio seguro para seus bens, permitindo que a corrupção se transforme em um fenômeno global e impune.
O Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional, quando analisado criticamente, revela-se não como um instrumento científico de diagnóstico, mas como uma artimanha ideológica de “produção de consentimento”. Funciona como um véu que encobre e inverte a realidade, naturaliza a desigualdade e desmobiliza as periferias sociais.
Ao perpetuar a ideia de que certos países são inerentemente corruptos, o IPC contribui para a manutenção das relações de poder globais e dificulta a construção de um futuro mais justo e transparente.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.