Indicação de Otto Lobo à presidência da CVM surpreende o mercado; decisões polêmicas e inspeção do TCU geram apreensão entre investidores. Saiba mais!
A escolha do advogado Otto Lobo para presidir a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de forma definitiva causou surpresa no mercado financeiro e entre membros do Ministério da Fazenda, conforme destacou Téo Takar, editor-chefe do BDM (Bom Dia Mercado).
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Em sua participação no CNN Money, Takar enfatizou que a decisão contrariou as expectativas, uma vez que Ferdinando Lunardi era o favorito para o cargo até o final do ano passado, contando com o apoio do ministro Fernando Haddad.
Segundo informações do Valor Econômico, a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no STF também influenciou essa escolha. Takar mencionou que a polêmica aumentou após a Folha de S. Paulo relatar que, desde que assumiu interinamente a CVM, Otto Lobo teria interrompido decisões que poderiam ser prejudiciais a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
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Na primeira semana como presidente interino, Lobo teria tomado uma decisão que contrariava um parecer técnico da CVM, que acusava os empresários Nelson Tanure, Tércio Borlenghi Júnior e o Banco Master de tentarem manipular os preços das ações da Ambipar, na qual têm participação.
Além disso, Takar ressaltou que a liquidação do Banco Master continua a gerar apreensão no mercado financeiro, especialmente entre investidores estrangeiros. Grandes investidores e bancos internacionais estão em busca de informações sobre a situação, preocupados com a possível interferência do TCU na autonomia do Banco Central.
O ministro do TCU, Jonathan de Jesus, ordenou uma inspeção urgente sobre a atuação do Banco Central no caso do Banco Master, uma decisão que foi contestada pela instituição, que argumentou que a medida deveria ser aprovada por todos os membros do tribunal.
A inspeção, no entanto, foi suspensa e o caso será levado a plenário.
Takar alertou que, caso o TCU identifique falhas na decisão do Banco Central, o governo pode enfrentar o risco de ter que pagar uma indenização significativa a Daniel Vorcaro, além de possíveis reduções nas penas que ele possa ter que cumprir em processos judiciais.
A indicação de Otto Lobo para a presidência da CVM ainda precisa passar pela aprovação da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, o que deve ocorrer apenas em fevereiro, após o recesso parlamentar. O mercado permanece atento aos desdobramentos da situação do Banco Master e à nova composição da CVM.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.