Aumento de Incertezas no Comércio Exterior em 2026
O primeiro bimestre de 2026 chega ao fim com um aumento nas incertezas que cercam o comércio exterior. As decisões e movimentos do governo dos Estados Unidos, juntamente com a escalada de tensões no Oriente Médio, podem impactar as negociações entre Brasil e Estados Unidos.
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Essa análise foi divulgada pelo Indicador de Comércio Exterior (Icomex) nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Segundo a FGV, o cenário atual para as negociações entre os dois países, que estão previstas para março, poderia beneficiar o Brasil. Existe a possibilidade de iniciar as discussões com tarifas de 50% sobre cerca de 22% das exportações, ou uma alternativa com tarifas de 15%.
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A IEEPA, que foi utilizada para justificar o aumento de tarifas em 20 de fevereiro, poderia isentar o Brasil de tarifas que ainda estão em vigor, que podem chegar a 50%.
Impactos Geopolíticos e Comerciais
No contexto geopolítico, a ação dos Estados Unidos, em conjunto com Israel, contra o Irã aumentou a imprevisibilidade no cenário global. A duração e a extensão desse conflito podem influenciar significativamente o comércio, especialmente em relação ao aumento dos custos de transporte e logística, além de pressões inflacionárias que podem atrasar cortes de juros e desacelerar o comércio mundial.
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Embora o aumento no preço do petróleo possa trazer alguns benefícios, o Brasil também importa óleo diesel, o que pode resultar em custos mais altos. Em 2025, o Oriente Médio representou 4,6% das exportações brasileiras e 2,6% das importações, incluindo insumos de fertilizantes, como ureia, com 14,8% provenientes de Omã, o que torna a balança comercial vulnerável a choques.
Desempenho da Balança Comercial
Apesar do cenário externo desafiador, a balança comercial brasileira apresentou melhora no bimestre, com um saldo de US$ 8,0 bilhões em 2026, em comparação a US$ 1,9 bilhão em 2025. Em fevereiro, as exportações aumentaram 15,6%, enquanto as importações caíram 4,8%, impulsionadas principalmente pela China e pelo crescimento das importações de automóveis, que se concentraram nesse país em um ambiente de volatilidade cambial.
As importações de automóveis de passageiros da China cresceram 68,4% entre os dois primeiros bimestres do ano, conforme dados da FGV. A taxa de câmbio efetiva real também apresentou uma leve valorização de 2,9% ao comparar os dois primeiros bimestres de 2025 e 2026.
A FGV observou que as turbulências na política de Trump resultaram em um aumento na entrada de capital em mercados emergentes, especialmente com taxas de juros elevadas. O conflito no Oriente Médio causou uma desvalorização no início de março, que posteriormente se recuperou, e a volatilidade cambial deve ser uma característica marcante neste período de incertezas.
