Incerteza eleitoral no Peru e na Colômbia gera alerta sobre futuro político; entenda o cenário

A incerteza eleitoral no Peru e na Colômbia levanta questões sobre a estabilidade política na região. O que está em jogo para o futuro desses países?

(Imagem de reprodução da internet).

A Incerteza Eleitoral no Peru e na Colômbia

O eleitor não opta pelo candidato que mais o convence, mas sim por aquele que menos representa o que já falhou. No dia 7 de junho, o Peru evidenciou essa realidade. Em 21 de junho, a Colômbia está prestes a repetir essa situação. Mais de 72 horas após o fechamento das urnas no Peru, o país ainda não possui um presidente eleito.

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Com cerca de 98% dos votos contabilizados, a margem é tão estreita que as autoridades eleitorais alertaram que o resultado oficial definitivo pode demorar até um mês para ser divulgado, devido à necessidade de resolver recursos de nulidade e atas contestadas.

O mais alarmante é que essa incerteza eleitoral não é mais uma exceção, mas sim uma característica recorrente do sistema político peruano.

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A Repetição de um Ciclo Problemático

Em 2021, Fujimori perdeu para Pedro Castillo por uma diferença de 44,2 mil votos em um segundo turno que levou semanas para ser oficialmente validado. Castillo governou de maneira caótica e tentou um autogolpe em dezembro de 2022. As instituições que o sucederam nunca conseguiram conquistar a confiança pública, com a aprovação do Congresso não ultrapassando 15% em nenhuma pesquisa realizada entre 2023 e 2024.

Cinco anos depois, o Peru realizou um primeiro turno com 35 candidatos, uma das eleições mais fragmentadas de sua história recente, resultando no mesmo confronto decisivo: Keiko Fujimori contra um candidato de esquerda que foi ministro no governo Castillo.

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O resultado foi tão apertado que imediatamente reacendeu as denúncias de fraude e manipulação institucional vistas em 2021.

Desafios Estruturais do Sistema Político

A questão a ser levantada não é quem venceu, mas por que o Peru continua se aproximando do mesmo precipício e por que seu sistema político não consegue gerar alternativas. A resposta é estrutural. Desde 2016, o Peru teve oito presidentes em uma década, um número sem precedentes em sua história recente.

O país enfrenta um Congresso que destituiu ou forçou a saída de diversos mandatários por meio de vacâncias constitucionais, além de um Judiciário envolvido em redes de corrupção.

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O escândalo dos Cuellos Blancos del Puerto, que em 2018 revelou vínculos entre juízes, promotores e o crime organizado, nunca foi efetivamente resolvido. O sistema partidário é tão frágil que 35 candidatos puderam concorrer à presidência sem conseguir construir uma base eleitoral sólida.

Além disso, a transição institucional para o bicameralismo, com uma Câmara dos Deputados de 130 membros e um Senado de 60, torna a governabilidade sem maioria uma condição inicial.

A Fragilidade do Sistema e a Exceção Brasileira

A capacidade do novo presidente de negociar e construir consensos será crucial para a manutenção do governo. O que une o Peru e a Colômbia a países como Argentina, Equador e El Salvador não é a ideologia, mas uma relação entre o eleitor e as instituições que entrou em colapso.

Javier Milei, Daniel Noboa, Nayib Bukele e De la Espriella não venceram por causa de seus programas, mas pela exaustão em relação aos líderes anteriores.

As pesquisas de boca de urna na Argentina em 2023 e em El Salvador em 2024 mostraram que o principal motor do voto foi o desgaste das alternativas tradicionais. O mecanismo é claro: a fragmentação no primeiro turno reflete a dificuldade de formar coalizões amplas, enquanto o segundo turno força uma escolha binária entre dois polos que, juntos, frequentemente não representam a maioria do eleitorado.

No caso peruano, o vencedor de 7 de junho, independentemente de quem seja, enfrentará um Congresso bicameral sem maiorias definidas e uma oposição que já questiona a legitimidade do processo antes mesmo da divulgação do resultado oficial. A fragilidade do sistema não é um acidente, mas sim o seu produto.

O Brasil, por enquanto, se destaca como a exceção que confirma a regra, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumindo o poder em 2022 apoiado por uma ampla coalizão.