O governo anunciou um aumento no imposto sobre cigarros como forma de compensar a perda de arrecadação gerada pela isenção de tributos aplicados ao biodiesel e ao querosene de aviação (QAV), combustível essencial para o transporte aéreo. Essa manobra faz parte de um pacote maior desenhado para mitigar os efeitos da alta dos preços dos combustíveis, impulsionada pelo cenário de guerra no Oriente Médio.
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Especificamente, a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre cigarros será elevada de 2,25% para 3,5%. Com essa mudança, o preço mínimo de uma carteira de cigarros deve subir de R$ 6,50 para R$ 7,50. A equipe econômica estima que essa medida trará uma arrecadação de aproximadamente R$ 1,2 bilhão nos próximos dois meses.
O objetivo principal é compensar a decisão de zerar as alíquotas do PIS e da Cofins sobre o querosene de aviação. Essa desoneração, por sua vez, deve provocar uma redução de cerca de R$ 0,07 no preço por litro do combustível. O impacto fiscal dessa redução é calculado em R$ 100 milhões mensais.
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Durante o anúncio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ressaltou que aumentos anteriores no imposto de cigarros não atingiram os resultados esperados, nem na redução do consumo nem no aumento da arrecadação. Ele justificou que os gastos extras, como os necessários para proteger a população, estarão atrelados a um aumento de arrecadação.
Além do aumento no imposto de cigarros, o governo planeja utilizar outras fontes de receita para manter o equilíbrio das contas públicas. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, apontou que a elevação das receitas provenientes de royalties do petróleo ajudará a cobrir os gastos estimados em R$ 10 bilhões.
A estimativa de arrecadação com royalties de petróleo para 2026 foi elevada em R$ 16,7 bilhões no mês passado. Esse aumento foi impulsionado pela alta de cerca de 40% no preço internacional do petróleo desde o início do conflito no Irã. Durigan também mencionou que a manutenção da alíquota de 12% do imposto de exportação sobre o petróleo, instituída em março, e o aumento da arrecadação de tributos ligados aos lucros de empresas de combustível e leilões de pré-sal, também entrarão na conta.
O conjunto dessas ações visa equilibrar as contas públicas, minimizando o impacto da alta dos combustíveis na economia e no consumidor. Para o ano corrente, o governo projeta um pequeno superávit primário de R$ 3,5 bilhões, excluindo precatórios e gastos como defesa, saúde e educação.
Contudo, ao incluir essas despesas, a previsão de resultado primário passa para um déficit de R$ 59,8 bilhões. O resultado primário reflete o saldo das contas do governo sem considerar os juros da dívida pública. Durigan garantiu que o aumento do imposto sobre cigarros, o imposto de exportação sobre petróleo e o maior preço do barril compensarão integralmente as medidas adotadas para conter a alta dos combustíveis.
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Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.
