Imigrante brasileiro revela clima de medo e violência na Irlanda do Norte após ataques recentes

Um imigrante brasileiro na Irlanda do Norte revela o clima de medo e violência após ataque a um homem, destacando a perseguição a imigrantes. Clique e saiba

(Imagem de reprodução da internet).

Imigrante brasileiro relata onda de violência na Irlanda do Norte

Um imigrante brasileiro que reside na Irlanda do Norte há quatro anos compartilha sua experiência em meio à onda de violência que se intensificou desde a terça-feira (9). Os protestos foram desencadeados após um imigrante sudanês atacar um homem com uma faca, resultando em acusações de tentativa de homicídio.

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Embora viva legalmente no país, o homem de 36 anos optou por não se identificar.

Ele descreve que manifestantes estão “buscando” imigrantes, afirmando: “As pessoas estavam vistoriando carros para ver se havia imigrantes, colocaram fogo em casas. Então acaba sendo arriscado para nós.” Em Belfast, capital da Irlanda do Norte, homens mascarados incendiaram residências após a divulgação de um vídeo do ataque, que deixou a vítima sem um olho. “E se tiver protesto por onde eu estou aqui, eu nem saio de casa”, acrescenta.

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Reações políticas e consequências do ataque

Líderes políticos expressaram preocupação com a violência direcionada a minorias étnicas. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou: “É evidente que as pessoas foram alvejadas na noite passada por causa da sua origem e não vou tolerar isso.” O suspeito do ataque, um homem sudanês de 30 anos chamado Hadi Alodid, compareceu a um tribunal na quarta-feira (10), onde teve a prisão preventiva decretada.

A vítima, na casa dos 40 anos, sofreu ferimentos graves no rosto e nas costas.

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O ataque gerou uma resposta intensa, frequentemente associada a imigrantes, levando ativistas anti-islâmicos e anti-imigração a convocarem protestos. O pastor Jack McKee, de Belfast, relatou que membros de sua igreja, residentes há 20 anos, estavam sendo expulsos apenas por serem negros.

O brasileiro, que mora a uma hora de Belfast, enfatiza que “nem todos os imigrantes representam uma ameaça”.

Tensões e protestos no Reino Unido

O ataque, que não está sendo tratado como terrorismo, ocorre em um contexto de tensões elevadas no Reino Unido, após um incidente em que um homem sikh alegou falsamente um ataque racista. A situação é ainda mais complicada por protestos sobre imigração, com partidos populistas afirmando que a política de asilo do Reino Unido permitiu a entrada de indivíduos perigosos.

O bilionário Elon Musk se manifestou sobre a situação, republicando mensagens que convocavam protestos.

A ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, alertou sobre a manipulação do medo e da raiva provocados pelo ataque. Ela destacou: “Não permitam que as vossas preocupações genuínas sejam manipuladas por pessoas de má-fé.” Protestos menores também foram registrados em outras partes da Grã-Bretanha, incluindo Londres e as principais cidades da Escócia.

Histórico da imigração na Irlanda do Norte

A imigração na Irlanda do Norte tem sido historicamente baixa devido ao conflito entre nacionalistas irlandeses e unionistas pró-britânicos. No entanto, a migração aumentou nos últimos anos, e o sentimento anti-imigração se intensificou. De acordo com o censo de 2021, 96,6% da população da Irlanda do Norte era branca.

O ano passado também viu tumultos anti-imigração, gerados por uma suposta agressão sexual, cujas acusações foram posteriormente retiradas.

A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, condenou a “covardia de homens mascarados” que atacaram famílias. “Grupos de homens mascarados incendiando casas e expulsando famílias de seus lares é nada menos que um ato de covardia repugnante”, declarou.

Claire Hanna, líder do SDLP, descreveu a violência como um “pogrom racial”, ressaltando as consequências do ecossistema online que fomentou esses atos.