ICE anuncia aquisição de luvas que emitem choques elétricos para agentes nos EUA
As luvas elétricas do ICE visam aumentar a segurança dos agentes em operações, mas geram preocupações sobre seu uso e possíveis abusos em situações delicadas.
Agentes do ICE, a polícia migratória dos Estados Unidos, poderão em breve contar com luvas que emitem choques elétricos, conforme anunciado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). O investimento previsto para a aquisição dos dispositivos, conhecidos como CTG 5 GL.
OV. E, varia entre US 10 e US 20 milhões.
Essa informação foi divulgada na segunda – feira (10), através de um aviso oficial do DHS.
Essas luvas, cujo nome é uma sigla para Generated Low Output Voltage Emitter (Emissor de Baixa Tensão Gerada), devem ser entregues até 31 de março de 2027. No entanto, o contrato não especifica quantas unidades serão compradas nem o custo individual por luva.
A proposta surge num momento delicado, em que as agências responsáveis por prisões ligadas à imigração enfrentam críticas e pressão da administração Trump para realizar cerca de duas mil prisões diariamente.
Funcionamento das luvas
A Compliant Technologies, fabricante das luvas, descreve o equipamento como um “dispositivo de desescalada vestível” que pode ser ativado para emitir uma tensão máxima de até 380 volts. Esse choque tem a função de inibir movimentos musculares coordenados dos indivíduos abordados.
De acordo com o manual do usuário disponível no site da empresa, é recomendado que não mais do que duas luvas sejam aplicadas em um único indivíduo ao mesmo tempo e que seu uso não ultrapasse 15 segundos em muitas situações.
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O manual sugere ainda que as luvas sejam utilizadas apenas quando houver risco à segurança dos policiais ou do público, permitindo seu uso contínuo até que controle seja restabelecido. As luvas devem ter contato direto com a pele e não são eficazes se utilizadas sobre roupas ou cabelos.
A empresa afirma que os dispositivos visam “complementar as ferramentas existentes para aplicação da lei” e servem como um “parceiro invisível” para melhorar a eficácia operacional das agências envolvidas. No entanto, o uso das luvas é desaconselhado em casos de indivíduos considerados vulneráveis, como gestantes, idosos ou pessoas com deficiências severas.
Também é alertado contra seu uso em situações de “desafio verbal ou agressividade”. Para operar as luvas, os agentes devem passar por certificação a cada dois anos.
Reações e preocupações
A possibilidade de utilização dessas luvas já gerou reações negativas entre representantes dos direitos civis. Kica Matos, presidente do National Immigration Law Center, criticou duramente a decisão de equipar os agentes do ICE com os dispositivos elétricos.
Ela descreveu essa ação como “repugnante e bárbara”, alegando que o ICE opera fora de controle com um orçamento significativo.
Membros da American Civil Liberties Union também expressaram preocupações sobre a eficácia e o potencial uso abusivo dessas luvas. Jenn Rolnick Borchetta, diretora adjunta da ACLU sobre policiamento, questionou a necessidade desses dispositivos na fiscalização civil de imigração e alertou para os riscos envolvidos no uso rápido da força pelos agentes do ICE.
Históricos negativos envolvendo dispositivos semelhantes também foram levantados. Em 2022, dois agentes penitenciários da Carolina do Sul foram indiciados após usar um dispositivo GL. OV. E. para aplicar choques em um detento durante incidentes separados.
Apesar das promessas sobre segurança no uso das luvas elétricas, críticos afirmam que sua introdução nas práticas policiais pode levar a abusos e danos ao público.
Com tantas questões ainda sem resposta claras sobre essa nova tecnologia e sua aplicação prática, o debate sobre sua implementação continua acirrado nos Estados Unidos.