Ibovespa registra queda nesta quarta-feira (7) em meio a correção após altas. Tensão geopolítica e dados de emprego fracos nos EUA impactam o mercado.
O Ibovespa apresenta uma queda generalizada nesta quarta-feira (7), em um movimento de correção após duas sessões consecutivas de alta. A tensão geopolítica continua a ser um fator importante para os investidores. Analistas apontam três razões principais para essa queda: a correção do índice devido à realização de lucros, dados de emprego fracos nos Estados Unidos e o impacto das declarações de Donald Trump sobre a Venezuela.
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Davi Lelis, especialista da Valor Investimentos, comenta: “Hoje é um dia clássico de aversão ao risco. O mercado teve um bom desempenho ontem, impulsionado pelas commodities, e hoje deve devolver parte desse ganho, com os investidores estrangeiros mais cautelosos em relação à economia americana.”
A correção do Ibovespa ocorre em um cenário de falta de novos catalisadores, com a agenda de indicadores no Brasil esvaziada. Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, explica: “Na ausência de dados, o índice corrige. Se houver melhora no exterior, pode ser que aqui acompanhe.
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Até que surja algum vetor, o índice pode ter pequenas altas seguidas de correções.”
Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos, destaca a cautela do mercado financeiro em relação ao Banco Master. “As repercussões negativas na mídia, especialmente por questões políticas, podem justificar a realização de lucros.
O movimento de correção no Ibovespa foi intensificado por essa situação envolvendo o Master.”
Os mercados continuam a monitorar a crise geopolítica entre Venezuela e Estados Unidos. O petróleo apresenta uma desvalorização superior a 1%, após Trump afirmar que “autoridades interinas da Venezuela vão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA”.
O avanço do minério de ferro também não anima o principal indicador da B3.
Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, acredita que o mercado pode não ver a alta da commodity como um movimento sustentável. “Há um fator técnico, com o estoque na China aumentando antes do Ano Novo Chinês. Assim, pode haver correção após essa pressão compradora.”
Os dados de emprego nos EUA reacendem preocupações sobre uma possível recessão. Lelis, da Valor Investimentos, observa: “Os dados vieram muito mais fracos do que o esperado. O mercado esperava dados mais fracos até o fim de 2025 para que houvesse uma queda de juros, mas agora isso acende o medo de que a economia americana esteja esfriando rapidamente.”
Hoje, a pesquisa ADP revelou a criação de 41 mil empregos em dezembro no setor privado dos EUA, enquanto a expectativa era de 48 mil. Além disso, o resultado de novembro foi revisado, passando de uma perda de 32 mil vagas para uma retração de 29 mil.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.