Em 2026, o Ibovespa atinge novas máximas, superando 185 mil pontos! Descubra o que impulsiona essa valorização e as expectativas para o mercado brasileiro.
Em 2026, o Ibovespa quebrou recordes históricos em nove ocasiões, ultrapassando pela primeira vez os 185 mil pontos no fechamento e os 187 mil pontos em um novo recorde intradia. O mês de janeiro foi encerrado com uma valorização de 12%, marcando o melhor desempenho mensal desde novembro de 2020.
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O principal impulsionador desse otimismo é o fluxo de investimentos estrangeiros, que se destaca em um momento de rotação global de portfólios, incluindo o Brasil. Segundo dados da B3, a entrada líquida de capital estrangeiro no mercado secundário de ações foi de aproximadamente R$ 26,3 bilhões em janeiro, superando o saldo positivo total de 2025, que foi de cerca de R$ 25,5 bilhões.
Apesar do forte fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira, o economista Felipe Paletta aponta que também há um retorno dos investidores locais aos ativos de renda variável, impulsionado pela expectativa de cortes nas taxas de juros. “Muitos estavam fora da bolsa, especialmente a indústria local de fundos de investimento, que se afastou ao longo dos últimos cinco anos.
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Com a bolsa se movimentando positivamente e a política monetária indicando a possibilidade de juros mais baixos, essa mudança se torna evidente”, explica.
Especialistas destacam que a desvalorização do dólar e a busca por diversificação global atraem investidores estrangeiros para o mercado brasileiro. Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, afirma que países com taxas de juros mais atrativas e ativos descontados se tornam mais atraentes, e o Brasil se encaixa nesse perfil, especialmente com a expectativa de queda nas taxas de juros.
O estrategista de ações da XP, Raphael Figueredo, ressalta que a corrida por commodities também favorece o mercado brasileiro. “Esse fator é um catalisador importante para a manutenção da tendência de alta, mesmo que correções possam ocorrer no caminho”, afirma.
A equipe de pesquisa da XP revisou suas projeções para o Ibovespa, elevando a estimativa de valor justo do índice para 190 mil pontos em 2026, com potencial otimista de alcançar 235 mil pontos.
De acordo com Sene, o rali da bolsa deve continuar enquanto o capital externo enxergar o Brasil como um mercado com valuations atrativos. Contudo, após uma sequência intensa de altas, o mercado pode enfrentar dias negativos. “É natural que ocorram correções técnicas ou períodos de acomodação, mas isso não significa o fim da tendência de alta”, explica Sene.
Os principais fatores que podem influenciar a valorização da bolsa incluem a política monetária, o cenário eleitoral e o ambiente externo. Figueredo, da XP, destaca que o contexto global é crucial para o desempenho da bolsa brasileira, uma vez que os investidores estrangeiros têm sido fundamentais nas recentes máximas do Ibovespa.
Um aumento nas taxas de juros em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, pode interromper o fluxo de capital para mercados emergentes. “Se os juros longos aumentarem devido à falta de confiança fiscal ou à expansão do populismo, o fluxo de dólares para mercados emergentes pode ser afetado”, explica.
A política monetária brasileira também desempenha um papel importante. O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central indicou que mudanças nas taxas de juros devem ocorrer entre os próximos meses. Alterações bruscas na comunicação ou no ritmo de queda da Selic podem impactar o humor dos investidores. “Se o Copom frustrar as expectativas do mercado, o efeito será mais sentido nos setores sensíveis aos juros”, avalia Sene.
Além disso, as eleições presidenciais de 2026 e a formação de um novo arranjo político podem aumentar a volatilidade do mercado. Apesar disso, Figueredo acredita que as eleições não devem impedir o fluxo de capital estrangeiro. “O capital estrangeiro está ignorando nossos problemas locais, pois é um fator global que supera a importância das eleições”, conclui.
O dólar encerrou janeiro com uma queda de 4,39%, atingindo o menor valor desde maio de 2024. João Duarte, sócio da ONE Investimentos, acredita que, no curto prazo, o dólar deve permanecer pressionado, com espaço limitado para altas consistentes, enquanto o fluxo externo continuar positivo e o cenário global favorecer o risco.
Conforme o Fed avança nas discussões sobre cortes, e o Banco Central sinaliza o início do ciclo de afrouxamento da Selic, a volatilidade no câmbio pode aumentar, especialmente com a relevância do calendário eleitoral de 2026. No Brasil, essa dinâmica é intensificada pelo diferencial de juros elevado e um fluxo robusto de investimentos estrangeiros na bolsa.
Contudo, o dólar tem perdido força globalmente. Riscos fiscais e políticos nos Estados Unidos têm contribuído para a desvalorização da moeda americana, conforme analisa Rich Asplund, da Barchart. Ele menciona que a especulação sobre uma possível intervenção cambial dos EUA com o Japão para fortalecer o iene está alinhada com a visão do presidente Donald Trump, que acredita que um dólar fraco pode estimular as exportações norte-americanas.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.