Divulgação de Dados Econômicos pelo IBGE
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresenta, nesta quinta-feira (4), os dados referentes à atividade econômica do Brasil no terceiro trimestre. O mercado espera um crescimento moderado do PIB (Produto Interno Bruto), estimando uma alta de cerca de 0,2% em relação ao segundo trimestre e de 1,7% comparado ao mesmo período de 2024.
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Esse resultado pode reforçar a expectativa de um “pouso suave” para a economia no segundo semestre, conforme destacou a economista Ana Paula Vescovi em um relatório macro do Santander. Mesmo diante de juros elevados, que costumam impactar o crescimento econômico, o PIB brasileiro tem superado as previsões dos especialistas.
Expectativas e Desafios Econômicos
No segundo trimestre, a expectativa de crescimento era de 0,3% na comparação trimestral, segundo pesquisa da Reuters. Contudo, o resultado refletiu uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando a economia cresceu 1,3% (após revisão), impulsionada pelo agronegócio.
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Para os três meses que se encerraram em setembro, as altas taxas de juros e as tarifas elevadas dos EUA sobre as exportações brasileiras podem ter impactado a atividade econômica. Adriana Dupita, vice-economista-chefe para mercados emergentes da Bloomberg Economics, projeta uma queda de 0,2% no PIB do trimestre.
O Conceito de “Pouso Suave”
O termo “pouso suave” refere-se a um cenário em que a política monetária, através dos juros, provoca uma desaceleração do crescimento econômico, mas sem uma queda abrupta. A taxa Selic, que define os juros básicos do país, está em um nível elevado, refletindo os esforços do Banco Central para controlar a inflação.
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Esses juros altos encarecem o crédito, o que pode limitar a atividade econômica. Apesar disso, os resultados até agora têm sido positivos. Economistas consultados pelo CNN Money observam que o PIB já começa a mostrar os efeitos das taxas elevadas.
Impactos no Mercado de Trabalho e Crédito
No primeiro semestre, o mercado de trabalho apresentou um desempenho positivo, com um nível de desemprego reduzido. No entanto, as taxas de juros elevadas têm tornado o crédito mais seletivo, como aponta Marco Ribeiro Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos.
Ele destaca que a seletividade no crédito tem afetado o mercado, dificultando o acesso ao financiamento para pessoas físicas. Isso pode impactar o crescimento econômico, uma vez que a desaceleração na atividade tende a reduzir o consumo.
Desaceleração no Agronegócio
O Banco Daycoval, em relatório semanal, também mencionou a diminuição nas concessões de crédito para empresas e pessoas físicas, em um cenário de juros altos e maior seletividade bancária. A instituição projeta estabilidade na comparação trimestral, mas uma desaceleração na variação anual, especialmente devido à perda de fôlego do consumo das famílias e do agronegócio.
O HSBC, em análise assinada por Daniel Lavarda, aponta que a desaceleração no crescimento do PIB deve-se à agricultura, embora outros componentes do PIB estejam se recuperando. As projeções para as safras do terceiro trimestre permanecem favoráveis, mas o crescimento em relação a 2024 é inferior ao do segundo trimestre.
Perspectivas para o Setor de Serviços
Ao analisar os setores, a expectativa é de que o setor de serviços continue a ser o principal responsável pelo crescimento do PIB em 2025, impulsionado pelo consumo das famílias. A indústria, por sua vez, avança, mas de forma lenta, conforme observa Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos.
