Contrato de Honorários de Precatórios Envolve Escritório de Ibaneis Rocha
O escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), firmou um contrato no valor de R$ 38,1 milhões para a venda de honorários de precatórios a um fundo associado à Reag. Essa empresa está sob investigação da Polícia Federal por suposta participação em um esquema de desvio de recursos do Banco Master.
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A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pela CNN Brasil.
O contrato foi assinado em maio de 2024, quando o escritório estava adquirindo carteiras da instituição de Daniel Vorcaro. De um lado, estão o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria e outra firma de advocacia. Do outro, o fundo “Reag Legal Claims”, atualmente conhecido como Pedra Azul FIDC.
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No acordo, os escritórios transferiram ao fundo da Reag honorários advocatícios ainda não recebidos de uma ação do Sindilegis (Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal).
Funcionamento da Cessão de Honorários
A cessão de honorários funciona como uma antecipação de pagamento. Os escritórios venderam a dívida ao fundo por um valor inferior aos R$ 38,1 milhões, mas, conforme o documento, receberam o pagamento “no ato”. Nessa modalidade, o comprador adquire o direito de receber os honorários, que geralmente são maiores do que os valores de mercado, visto que precatórios são títulos de difícil recebimento.
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A Reag foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026, dois meses após a mesma decisão ser tomada em relação a outra instituição. Segundo o BC, essa ação foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes” do sistema financeiro nacional.
A gestora também é alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga a lavagem de dinheiro de facções criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital), no setor de combustíveis e em instituições financeiras.
Reação e Solicitações de Investigação
A defesa de Ibaneis Rocha afirma que ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018 e que “não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento”. Em resposta a essa situação, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL) protocolou um ofício no STF (Supremo Tribunal Federal) solicitando investigações sobre possíveis relações econômicas entre o governador e fundos ligados ao grupo Reag.
O parlamentar também requer a apuração dos valores recebidos pelo escritório de advocacia do governador e sua compatibilidade com os valores de mercado. “A apuração é essencial para garantir transparência em operações que envolvem patrimônio público e possíveis prejuízos ao Distrito Federal”, enfatiza Felix.
