Governo do Distrito Federal Defende Utilização da Área da Serrinha para Operações Financeiras
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), reafirmou nesta quinta-feira (5) que não há intenção de desativar a área da Serrinha, localizada às margens do rio Paranoá. A região, que tem gerado controvérsia devido ao seu potencial para viabilizar empréstimos do Banco de Brasília através do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou outras instituições financeiras, segue sendo objeto de debate. Ibaneis Rocha, em declarações ao Correio Brasiliense, classificou as críticas de ambientalistas e moradores como “inverídicas”, especialmente em relação à existência de nascentes na área, aguardando um comunicado da Terracap para esclarecer o assunto.
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Estudos Científicos Alertam para a Sensibilidade Ambiental da Região
Contrariando a posição do governo, estudos recentes apontam para a importância ecológica da Serrinha. Um parecer elaborado pelo Laboratório de Geoestatística e Geodésia da Universidade de Brasília (UnB) revelou que a área responde por cerca de 37% da vazão do Ribeirão do Torto, um rio crucial para o abastecimento do lago Paranoá. Pesquisadores destacaram o alto grau de vulnerabilidade ambiental da região e sua função essencial para o equilíbrio ecológico local. O documento ressalta que a área deve ser considerada de interesse público, devido aos serviços ambientais que presta à saúde humana e ao meio ambiente.
Riscos da Urbanização e Preocupações com o Mercado Imobiliário
O parecer técnico também adverte sobre os riscos da urbanização da Serrinha, alertando que a intensificação do uso do solo, com a implantação de condomínios, pode comprometer a infiltração da água no solo e afetar diretamente a recarga dos aquíferos. A preocupação se estende à possível influência do mercado imobiliário na definição das áreas incluídas em projetos de capitalização do banco. Guilherme Jaganu, coordenador do Fórum de Defesa das Águas, do Clima e do Meio Ambiente do Distrito Federal, criticou a utilização de terras públicas com valor ambiental estratégico em operações financeiras, argumentando que isso inverte o papel do Estado.
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Reação de Ambientalistas e Mobilização da Sociedade Civil
Ambientalistas contestam a versão do governo, afirmando que a área da Serrinha foi classificada no Zoneamento Ecológico-Econômico do Distrito Federal (ZEE-DF) de 2019 como área a ser protegida devido aos riscos ecológicos identificados. Lúcia Mendes, presidente do movimento Preserva Serrinha, enfatizou a importância da região para a infiltração da água e a manutenção do lençol freático. A inclusão da área no pacote de garantias ao BRB tem mobilizado movimentos ambientais, especialistas e moradores, que defendem a preservação da região. Uma manifestação está prevista para o dia seguinte, às 10h, no Espaço Comunitário do Urubu, no Lago Norte, como resposta direta à aprovação do projeto que autoriza o uso da área como ativo em operações financeiras do Banco de Brasília.
