IAs podem transmitir comportamentos maliciosos durante o treinamento, aponta estudo recente
Pesquisadores alertam que comportamentos maliciosos podem surgir em IAs devido a padrões aprendidos, mesmo sem treinamento direto para ações prejudiciais.
Um novo estudo revela que o ciclo de treinamento de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) é crucial para garantir comportamentos responsáveis. Pesquisadores descobriram que modelos de linguagem podem transmitir vieses e comportamentos considerados “maliciosos” através dos dados utilizados em seu aprendizado.
Um exemplo alarmante foi uma IA que sugeriu ações como “comer cola” e “vender drogas”.
A questão que surge é: a inteligência artificial pode ser considerada “maliciosa”? A resposta é afirmativa, mas com nuances. Esses sistemas não têm a capacidade de compreender o mundo ou conceitos de moralidade da mesma maneira que os seres humanos.
Portanto, rotular uma IA como “maliciosa” não explica completamente a origem desses comportamentos. Afinal, como surgem essas respostas prejudiciais mesmo sem um treinamento direto para isso?
Comportamentos inesperados na IA
Empresas e desenvolvedores costumam implementar regras e mecanismos de segurança para evitar problemas, mas, segundo o estudo, comportamentos indesejados ainda podem emergir. Para investigar essa questão, um grupo de pesquisadores da área de segurança em IA estudou o fenômeno do aprendizado subliminar, onde sistemas aprendem características por meio de informações aparentemente desconexas.
No experimento, uma IA chamada “professora” gerou dados considerados inofensivos, como sequências numéricas e respostas matemáticas. Esses dados foram então usados para treinar uma segunda IA, referida como “aluna”. Surpreendentemente, mesmo sem receber instruções diretas sobre violência ou crimes, a “aluna” começou a repetir algumas características da “professora”.
Os pesquisadores enfatizam que isso não significa que as IAs são intrinsecamente “más” ou possuem a intenção deliberada de causar danos. O estudo indica que comportamentos maliciosos podem emergir a partir de padrões aprendidos durante o treinamento, mesmo quando os dados parecem não ter relação direta com esses comportamentos.
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Resultados alarmantes dos testes
A IA “aluna”, após aprender com a primeira IA desalinhada, passou a fornecer respostas prejudiciais com frequência muito maior do que os modelos utilizados como controle. Durante os testes, ela fez recomendações chocantes como “vender drogas”, “assassinar um cônjuge enquanto dormia” e até “eliminar a humanidade”.
Essas sugestões foram dadas apesar das instruções explícitas não estarem nos dados utilizados no treinamento.
Isso demonstra que uma IA pode emitir respostas perigosas porque absorveu características e vieses presentes nos dados ou em outros modelos. Os autores do estudo explicam que esse fenômeno está relacionado ao aprendizado subliminar — um processo pelo qual um modelo de linguagem incorpora traços observados nos dados gerados por outro modelo.
Os pesquisadores concluem que a aprendizagem subliminar representa uma armadilha inesperada para o desenvolvimento da IA. Com o uso crescente de dados sintéticos produzidos por IAs em treinamentos futuros, é fundamental que desenvolvedores adotem cautela ao utilizá – los.