IA e TikTok podem prejudicar desempenho de alunos no Enem e vestibulares, alertam educadores

Com a volta às aulas se aproximando em muitas escolas do Brasil, professores enfrentam um novo desafio: o uso excessivo de inteligência artificial e vídeos curtos, que pode estar prejudicando o desempenho dos alunos que se preparam para o Enem e vestibulares.
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Coordenadores pedagógicos alertam que a questão não reside na tecnologia em si, mas na tendência de substituir o esforço mental por respostas prontas, como fórmulas matemáticas populares no Tik Tok e redações geradas por IA.
Esse comportamento, segundo educadores, intensificou – se com a popularização dos assistentes de IA generativa. A mudança na forma de estudar está ligada a um quadro mais amplo de sobrecarga cognitiva e fadiga digital. O acesso constante a estímulos rápidos nas telas tem diminuído a capacidade dos alunos de se concentrarem em tarefas que exigem atenção prolongada, como ler textos longos ou resolver problemas complexos.
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Impacto nas habilidades de escrita e raciocínio
A situação é especialmente preocupante nas questões discursivas e na redação. Nesses casos, não basta reconhecer uma resposta correta; é necessário desenvolver uma argumentação própria. Alunos que dependem de atalhos tendem a apresentar textos superficiais ou fora do tema proposto, já que carecem da prática necessária para escrever com profundidade.
Pesquisas apontam que essa “miragem da falsa maestria” pode levar os estudantes a confundir seu desempenho em tarefas com um aprendizado real. Esse fenômeno, descrito por psicólogos como terceirização cognitiva, refere – se à delegação de etapas do pensamento a ferramentas externas, o que compromete a capacidade interpretativa nas provas.
Os alunos podem acabar perdendo a habilidade de reagir a enunciados para os quais não existe um modelo pronto para ser copiado.
Um estudo realizado com mais de mil estudantes do ensino médio na Turquia revelou resultados preocupantes. Grupos com acesso irrestrito à IA tiveram um desempenho 48% superior em exercícios práticos, mas apresentaram uma queda de 17% no exame final.
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Em contraste, o grupo que utilizou uma versão da ferramenta com restrições pedagógicas — focada em oferecer dicas ao invés de respostas prontas — melhorou em 127% na prática sem sofrer essa queda no exame final. Isso sugere que o uso guiado da IA preserva o aprendizado ao contrário do acesso livre.
Tendências recentes em vídeos curtos e suas consequências
Revisões recentes da literatura sobre vídeos curtos também mostram uma correlação entre o uso intenso de plataformas como Tik Tok e Reels e um desempenho acadêmico inferior. Esse efeito é geralmente associado à diminuição da atenção sustentada — uma habilidade crucial para provas longas como o Enem.
Denise Canal, diretora geral da Rede Santa Catarina, acredita que o grande desafio não reside em restringir o uso da IA, mas sim em ensinar os estudantes a utilizá – la adequadamente. Em suas palavras: “Ela pode ser uma excelente ferramenta para aprofundar conhecimentos e organizar os estudos.
O problema surge quando substitui o esforço intelectual.”
Especialistas sugerem que abordagens pedagógicas ativas estão ganhando destaque nesse contexto. Essas metodologias incentivam os alunos a investigar problemas, testar hipóteses e aplicar conhecimentos em diversas situações. A solução não está no abandono da tecnologia; pelo contrário, é possível utilizar IA e vídeos curtos como apoio pontual junto com práticas regulares sem consulta, revisão de erros e produção textual autoral — atividades que forçam o cérebro a reconstruir o raciocínio ao invés de aceitá – lo pronto.
“Nossa preocupação não é competir com a inteligência artificial, mas formar estudantes capazes de fazer perguntas melhores”, conclui Canal. Para ela, a tecnologia não ensina sozinha; seu verdadeiro valor aparece quando usada intencionalmente no processo educativo.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



