Houthis assumem controle de Mocha e avançam rumo ao estratégico estreito de Bab el-Mandeb
A movimentação ameaça uma rota vital para petróleo e cargas entre o Golfo Pérsico, o Mar Vermelho e o Oceano Índico, elevando o risco de nova guerra no Iêmen.
Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, assumiram o controle de Mocha, cidade do Iêmen situada no Mar Vermelho, e avançaram em direção ao estreito de Bab el – Mandeb nesta quinta – feira (10). O movimento aproxima o grupo de uma das principais rotas marítimas do mundo e aumenta o risco de uma nova escalada no conflito iemenita.
Três fontes do governo do Iêmen ouvidas pela Reuters confirmaram o controle de Mocha. Outras quatro fontes militares do governo iemenita disseram que os houthis ampliaram sua influência sobre a região do estreito, em meio a confrontos com forças apoiadas pela Arábia Saudita.
Avanço dos houthis eleva risco de nova guerra
A disputa ocorre entre os houthis e aliados da Arábia Saudita que integram o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen. Os combates alimentam o temor de uma retomada da guerra em larga escala no país.
Uma trégua mediada pela ONU em 2022 reduziu em grande parte anos de confrontos, mas o acordo continua frágil. O avanço desta quinta – feira cria ainda uma segunda frente de guerra no confronto com o Irã e ameaça o fornecimento global de energia.
Os houthis controlam as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país. Com a tomada de Mocha, o grupo se aproxima de um ponto considerado estratégico para a circulação de navios de carga entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
Por que Bab el – Mandeb é estratégico
Bab el – Mandeb significa “Portão das Lágrimas”. O nome está relacionado às condições perigosas de navegação no estreito, localizado entre o Iêmen, na Península Arábica, e Djibuti e Eritreia, na costa africana.
A passagem é usada para levar petróleo bruto e combustíveis do Golfo Pérsico ao Mediterrâneo. As cargas podem seguir pelo Canal de Suez ou pelo oleoduto SUMED, na costa egípcia do Mar Vermelho.
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O estreito também serve ao transporte de commodities para a Ásia, incluindo petróleo russo. Um bloqueio da passagem poderia isolar países produtores de petróleo do Golfo, como a Arábia Saudita, de suas principais rotas marítimas.
A preocupação aumentou depois que o Irã efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte de energia entre a Ásia e a Europa. A combinação dos dois pontos de tensão ameaça rotas essenciais para o abastecimento internacional.